Chuva prejudica primeira fase da colheita de café no Brasil

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O clima excepcionalmente úmido afetou muitos dos grãos de café arábica em início de colheita no Brasil e tem se refletido nos mercados futuros, mas o clima seco retornando agora ao cinturão produtor evitou danos no restante da colheita.

O preço do café arábica no mercado futuro teve alta de 12 por cento desde o começo da semana passada, para a alta do mês, porque as persistentes chuvas no Sudeste do Brasil causaram danos irreversíveis aos grãos colhidos, reduzindo a oferta em potencial do café de alta qualidade este ano no Brasil, maior produtor mundial.

Exportadores dizem que a safra será boa, mas sem bater recordes, ao passo que o governo prevê um resultado 15 por cento superior ao do ano passado, por causa do ciclo no qual os cafezais melhoram de produtividade a cada dois anos.

Mas as chuvas excepcionais deste mês, quase o quíntuplo da média dos últimos anos para junho, reduziu o valor do produto oferecido, porque as inspeções em cooperativas e corretoras revelaram manchas de umidade e mofo. Isso, por sua vez, deve causar uma elevação no preço dos lotes que vierem em melhores condições a partir de agora.

"Proporcionalmente, haverá menos café de qualidade disponível do que no ano passado", disse José Augusto Vital de Andrade, sócio da torrefadora Café Batataense, em Batatais, interior de São Paulo.

"Há mais manchas (de umidade) nos grãos, e eles perderam valor", afirmou ele, num dia ensolarado. Segundo ele, as chuvas no norte paulista pararam no sábado.

O lado positivo é que até 21 de junho pouco mais de um quarto da safra já haviam sido colhidos, o que é menos do que o habitual para essa época, de modo que a maior parte dos grãos ficou protegida dentro do fruto do café e poderá se beneficiar do tempo seco das próximas semanas.

"Estamos nos encaminhando para condições mais secas agora. Não haverá a mesma instabilidade, e isso significa que o tempo ficará mais seco e que as temperaturas subirão, o que ajuda o café a secar mais rapidamente", disse à Reuters a meteorologista Olivia Nunes, do instituto Somar.

Segundo ela, o tempo deve continuar seco por duas ou três semanas, abrindo caminho para progresso rápido na colheita. No entanto, há risco de que as chuvas voltem após este período, por causa do fenômeno El Niño.

A previsão da Somar para os próximos três dias na região produtora do Sudeste mostrava uma série de zeros nesta quarta-feira, indicando condições completamente secas.

INÍCIO TARDIO

O analista de café Gil Barabach, da consultoria Safras & Mercado, disse que os produtores se deram bem ao retardar deliberadamente o início da colheita neste ano, porque assim reduziram a quantidade colhida e exposta à umidade.

"Nesta época do ano passado, 39 por cento da safra já haviam sido colhidos. Os produtores esperaram mais para começar porque queriam colher mais café num estágio mais maduro agora que eles estão mais bem capitalizados", disse Barabach.

Ele explicou que os produtores geralmente se apressam em colher grãos ainda pouco maduros, porque assim conseguem apressar as vendas e cobrir seus custos. Mas, por causa de uma alta no preço do café arábica desde meados de 2010, desta vez os cafeicultores têm menos urgência.

Apesar de os futuros do arábica em Nova York registrarem queda de quase 50 por cento ante o pico de 34 anos atingido em maio de 2011, com cotação de 3,0890 dólares por libra-peso, os preços atualmente estão mais altos do que em boa parte da última década. Na quarta-feira, o contrato referência encerrou cotado em 1,6485 dólar por libra-peso.

Em maio, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou que a safra de café deste ano já estaria 80 por cento colhida até o final de julho. No entanto, uma proporção superior a isso provavelmente ainda estará nos pés de café quando esse prazo chegar – ou, pior ainda, terá caído no chão úmido, de onde os grãos ainda podem ser catados, mas onde se deterioraram mais rapidamente.

"Obviamente a safra é grande, mas acho que haverá um probleminha com a qualidade", disse o corretor de café John Wolthers, da exportadora Comexim, em Santos.

Ele havia acabado de voltar de uma viagem aos cafezais mineiros, responsáveis por pouco mais da metade da produção brasileira, e relatou problemas com grãos mofados ou excessivamente maduros.

"É uma pena, chegamos a cerca de 55 milhões de sacas, e aí o céu abriu", afirmou.

Fonte: Reuters

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