CHEGAM AS CHUVAS, MAS AS INCERTEZAS CONTINUAM

A nova presidente do Banco Central Americano manteve a linha do discurso do seu antecessor, mas surpreendeu com opiniões sobre a economia de outros países. A menção negativa sobre o momento que o Brasil passa gerou uma sensibilidade maior do que deveria de alguns, mesmo que tenham sido lúcidas suas considerações.

As bolsas de ações fecharam em alta na semana, com a performance nos Estados Unidos sendo a melhor desde dezembro último.

Dentre as commodities o destaque voltou a ser o gás natural com o ganho de 13.87% em cinco dias, seguido pelo mercado de suíno, prata, e ouro, com altas respectivas de 11.38%, 6.51%, e 3.47%.

O café teve mais uma semana de preços voláteis e encerrou o período com ganho de US$ 5.56 por saca em Nova Iorque e US$ 2.04 em Londres.

Chuvas que eram esperadas para o “cinturão de café” brasileiro começaram a cair, e tudo indica que o volume e a frequência devem ser razoáveis de agora em diante. As dúvidas pairam sobre a capacidade de recuperação das árvores e o tamanho das próximas safras.

O quadro inusitado permite opiniões que falam de perdas que variam entre 2 a 10 milhões de sacas para o ciclo de 14/15 – enorme a diferença. As fotos dos cafezais sentindo a seca e de frutos partidos no meio inundam os e-mails dos agentes, e na dúvida fizeram com que os fundos cobrissem suas posições vendidas e ficassem finalmente comprados.

Outros participantes parecem estar certos de que a oportunidade de venda é de ouro. Os Commitements of Traders mostram que os comerciais entre os dias 28 de janeiro e 11 de fevereiro venderam quase 10 milhões de sacas de café, um belo “enxugamento” dos volumes que estavam sendo represados no mercado.

A movimentação do físico nas origens, destino e no mercado FOB ratificam que os profissionais “do ramo” estão aproveitando o momento para negociar não apenas a safra presente mas as futuras.

Quem parece estar confiante em altas maiores são os produtores de robusta, talvez pela arbitragem que alargou para US$ 60 centavos por libra (nível que não víamos desde fevereiro de 2013). O mercado acredita que o Vietnã comercializou menos de 40% de sua safra atual, patamar abaixo da média e que em breve vai concorrer com a chegada da safra nova da Indonésia – ou seja, é bom que não percam o bonde.

De volta ao arábica os diferenciais entre os suaves e os naturais têm andado em direções opostas, reflexo da disponibilidade corrente. Enquanto para o café brasileiro o “basis” tem alargado (barateado), para os cafés da América Central e Colômbia têm firmado. Para efeito de preços do terminal acho que o primeiro é um indicador mais forte de que possamos ver uma realização (queda) das cotações no curto-prazo. Até porque os mesmos cafés que tem “barateado” são os mesmos que têm previsão de oferta futura diminuída.

Segunda-feira dia 17 de fevereiro é feriado por aqui, Dia do Presidente, fato que ajudou o terminal a não ceder na sexta-feira. Muitos investidores não se sentem confortáveis em montar/manter uma posição vendida grande, em um mercado que tecnicamente está forte, antes de um final de semana de três dias.

Um fechamento acima de 144.40 ou abaixo de 138.20 ditará o comportamento dos fundos em adicionar novas compras ou devolver suas posições compradas.

Uma boa semana e muito bons negócios a todos.

* Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

Fonte: Archer Consulting

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