Cerrado mineiro recebe 1ª certificação de origem do café

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A região do cerrado mineiro, que abrange 55 municípios localizados no Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas conquistou, este ano, a primeira certificação de origem do café no Brasil, devido às características somadas ao saber fazer dos produtores. O título, conferido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), garante o diferencial e valorização do produto.

A novidade foi apresentada durante um encontro de produtores em São Gotardo, no Alto Paranaíba. Na oportunidade, foram mostrados detalhes técnicos dos processos, entre eles, a criação de uma identidade para o consumidor verificar a idoneidade do produtor. “É um trabalho que tem como objetivo maior de unir a classe produtora. Consequentemente, ter como fazer a marca da região de origem dos produtos de São Gotardo, fazendo convênios com universidades, para podermos certificar que a nossa produção é livre de resíduos e defensivos, além de ser uma produção sustentável, respeitando a legislação trabalhista e promovendo os produtos da região”, explanou o produtor Hugo Shimada.

Com a marca no mercado, a expectativa é de que, aos poucos, os consumidores reconheçam o café do cerrado como um produto exclusivo e de qualidade. Foi exatamente o que aconteceu com as regiões de Parma, em relação aos presuntos e queijos, e Champagne, em relação aos espumantes. O resultado, segundo o especialista em mercado César de Castro, é a valorização do produto no país e no exterior. “O mercado consumidor quer, cada vez mais, produtos que estejam disponíveis e qualidade. E o processo de denominação de origem fortalece a região e o grupo de produtores. Se caso o produtor não estiver disponível em um ano, no outro a região dele continua sendo diferenciada e o produto terá uma valorização natural”, disse.

O produtor Paulo Leite deixou o interior de São Paulo com a certeza de que poderia mudar um panorama. Em um lugar onde havia só pasto, há 107 hectares de café. “Foi feito um estudo de todas as condições que determinam a produção de um café de qualidade; entre elas está a condição climática, especialmente durante a fase de desenvolvimento e fase de colheita do café. A região é privilegiada nesse aspecto por oferecer uma condição de boa precipitação durante a safra”, afirmou.

Além do clima, a geografia da região também é favorável ao plantio. Os cafezais estão entre 800 e 1.300 metros do nível do mar, o que dá uma identificação única ao grão. A produção estimada na área é de cinco milhões de sacas por ano – fruto do trabalho de 4.500 cafeicultores. “A denominação de origem significa fazer o mercado perceber que o café produzido nestas condições tem um diferencial de qualidade em relação ao café produzido em outras regiões”, completou Paulo.

Fonte: G1 Triângulo Mineiro

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