Castigado pelo tempo, café terá nova quebra em 2015

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Geada de 2013 derrubou a safra de café no Paraná neste ano: muitos cafezais foram cortados

A alta de 50% nos preços do café neste ano, diante da seca que fez a saca de 60 quilos chegar a R$ 400, tende a se prolongar. Produtores e pesquisadores afirmam que os danos causados pela falta de chuva do início do ano foram graves. E dizem que 2015 poderá registrar a menor safra de café arábica em uma década. Como o Brasil é o maior exportador do mundo, a constatação influencia também os preços internacionais.

No Paraná, a cafeicultura terá dois anos de quebra seguidos. A forte geada de um ano atrás pouco influenciou o volume de 2013, mas derrubou a safra de 2014. A colheita passou de 1,65 milhão para cerca de 550 mil sacas. Além disso, muitos cafezais foram cortados. O governo do estado registra recuo de 82 mil para 58 mil hectares (ha). Sobraram perto de 34 mil ha em produção e 24 mil ha em formação. E a falta de chuvas representa novo golpe. No início da crise, os preços estavam baixos devido à grande oferta global. Agora, a alta das cotações soa como alívio.

A cafeicultura nacional atravessou a pior sequência de calor e tempo seco já registrada. Em regiões líderes de cultivo a colheita – praticamente concluída – caiu 30%. No caso do café arábica KCc1, os preços subiram 55% em 12 meses, ao maior nível em dois anos.

No primeiro sinal concreto de uma safra menor em 2015, as flores apareceram um mês mais cedo que o normal em Minas Gerais. Depois da seca, chuvas de até 50 milímetros em julho induziram a floradas isoladas em agosto, algo pouco usual até setembro e outubro. “A próxima safra vai acabar muito seriamente comprometida”, disse o professor José Donizete Alves, especialista em café da Universidade Federal de Lavras (MG), apontando para um ramo atrofiado e com um fungo atípico.

Ele estima que o Brasil produzirá entre 24 milhões e 27 milhões de sacas de café arábica em 2015 e que a florada possa ocorrer várias vezes nesta temporada, impedindo a realização da colheita de uma só vez no próximo ano. Esses números ficam bem abaixo do registrado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para 2014: 32 milhões de saca de arábica e 12 milhões de sacas de conilon. O total de 44,56 milhões de saca representa 9% de queda sobre 2013, aponta a Conab.

A safra de café arábica no Brasil não cai abaixo de 24 milhões de sacas desde 2005. O governo previu uma safra de 32 milhões de sacas de arábica em 2014, em maio, ante 38 milhões de sacas em 2013.

Uma safra ruim em 2015 ocorreria em um momento de oferta baixa no maior produtor global.

Fonte: Gazeta do Povo com agências

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