Cápsula de café atrai empresas de menor porte

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O mercado brasileiro de cápsulas de café desperta o interesse também de empresas de médio e pequeno portes. Dominado ainda por grandes companhias como a Nestlé, dona da marca Nespresso, o número de empresas menores que investem nesses produtos cresce significativamente. A portuguesa Kaffa, que fabrica cápsulas, já fechou contrato com 36 fabricantes de café e continua negociando com cerca de outras 14.

A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) estima que cerca de seis companhias brasileiras estejam colocando seus cafés em cápsulas, além das empresas de maior porte como Nestlé, 3corações, Master Blenders e a portuguesa Delta.

As cápsulas de café começaram a ser comercializadas no país há pouco mais de uma década, pela Nespresso, da Nestlé. Com o grande potencial deste mercado, a múlti suíça anunciou em dezembro do ano passado a construção de uma fábrica no país, com investimentos de cerca de R$ 200 milhões.

O volume total de cápsulas vendidas no mercado brasileiro cresceu 52,4% de 2013 para 2014, de acordo com pesquisa feita pela Nielsen, encomendada pela Abic. "São números impressionantes, muito acima do volume de café consumido como um todo", diz Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Abic. A mesma pequisa mostra que 26% da classe A no país (que totaliza 8,5 milhões de pessoas) tem máquina para cápsulas, comenta ele.

O diretor da Abic avalia que o mercado de cápsulas continuará em expansão no país. Diante do grande número de empresas de menor porte que também vêm lançando esses produtos, Herszkowicz observa que "sobram fatias do mercado disputadas por empresas menores, compatíveis com o tamanho delas". Entretanto, nem todas terão sucesso, acrescenta ele.

A Kaffa, que já produzia cápsulas para a brasileira Café Utam, inaugurou em julho do ano passado uma fábrica no país. Como a demanda tem sido maior que a esperada, a empresa já vai ampliar sua unidade industrial. A companhia também tem planos de atender clientes do Mercosul a partir da fábrica brasileira e até inaugurar um centro de torra para receber café verde de seus clientes.

A Kaffa desembarcou no país com investimentos de R$ 3 milhões na fábrica em Ribeirão Preto (SP), com capacidade para produzir até 129 milhões de cápsulas por ano (em três turnos). A unidade, a primeira da empresa fora de Portugal, registrou crescimento superior a 300% em sua produção de agosto a dezembro de 2014, segundo Alexx Noga, diretor comercial e de marketing da Kaffa no Brasil.

A produção passou de 110 mil cápsulas em agosto para 485 mil em dezembro do ano passado. Desde o início das atividades até janeiro deste ano, a empresa alcançou a marca de 2,040 milhões de cápsulas produzidas (compatíveis com as máquinas da Nespresso) e uma receita de R$ 825 mil. A expectativa é que neste mês sejam fabricadas 1,3 milhão de cápsulas; 1,960 milhão em março, e 2,1 milhões em abril.

As novas marcas de cápsulas de café deverão chegar às redes de supermercados ainda neste mês, principalmente nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, estima Noga.

Em pouco tempo no país, a Kaffa já se prepara para transferir sua produção para uma fábrica maior. Foi alugado um novo prédio, que também deve garantir maior espaço para estocagem de matéria-prima. A mudança deverá ocorrer no próximo mês. E até o fim do ano, deverá ser instalada mais uma máquina para a fabricação das cápsulas.

Os aportes para ação comercial e a ampliação da unidade somam R$ 1 milhão este ano, conforme Noga. "Eles [Kaffa] sempre acreditaram no crescimento, mas não acharam que seria tão rápido", diz ele.

A empresa também quer terceirizar a produção de cápsulas para clientes do Mercosul, com foco em Argentina, Uruguai, Peru e Chile, comenta o diretor comercial da Kaffa. Como a maior parte dos países não cultiva a matéria-prima, a própria Kaffa vai desenvolver um blend de café e utilizar grãos brasileiros para encapsular o produto. A estimativa é que até o fim deste semestre alguma remessa de cápsulas seja enviada para empresa da região.

Para atender aos mercados brasileiros e do Mercosul, a expectativa é que a Kaffa produza este ano até 21 milhões de cápsulas, diz Noga.

Mas a estratégia da empresa não é ser apenas uma prestadora de serviços no país. Por isso, a companhia planeja estabelecer uma loja virtual para vender cápsulas de várias empresas, diz o diretor.

A Kaffa também pretende desenvolver no Brasil um centro de torra para receber grãos verdes de seus clientes. Hoje as empresas enviam café torrado em grãos. A medida facilitaria a logística dessas companhias, que não podem enviar uma grande quantidade de café torrado para a empresa de uma vez só em função de perda de qualidade do produto. Desta maneira, poderiam encaminhar maior volume de café verde à Kaffa, reduzindo os custos de transporte. De acordo com Noga, faltam alguns ajustes em equipamentos para que possam ser fabricados e, assim, iniciar a torrefação.

"Naturalmente virão outros [empresas] com o mesmo conceito. Mas a Kaffa quer se tornar referência nessa área por excelência no que ela faz", diz.

A Kaffa teve faturamento de € 11 milhões em 2014 em Portugal. No país europeu, a fábrica da companhia tem capacidade para produzir 350 milhões de cápsulas ao ano. A Kaffa também detém um sistema exclusivo com sua marca, comercializando uma máquina própria.

Fonte: Valor Econômico

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