Campo mineiro em disparada

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A colheita do agronegócio mineiro vai ser farta este ano. O valor do Produto Interno Bruto (PIB) de todas as cadeias ligadas à agricultura e pecuária em Minas Gerais deve chegar a R$ 94,7 bilhões até o término de 2010. O estado nunca registrou riqueza tão grande no campo. Café, laranja e carvão vegetal foram os grandes responsáveis pela disparada dos resultados no estado. Por causa da valorização dos preços desses e de outros produtos colhidos em Minas, a expectativa é de que o crescimento do PIB do agronegócio mineiro chegue a 8,8%, ou seja, acima dos 7,5% previstos para para o PIB total do país.

O ritmo mais acelerado que o registrado em outras regiões ainda vai permitir que o estado registre uma maior participação no PIB do agronegócio nacional: de 12,3%. A porcentagem também é a maior da série histórica de levantamentos feitos pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) a pedido da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg) e da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária. Para se ter uma ideia, em 2001, quando os estudos começaram a ser executados, Minas era responsável por apenas 9,5% do PIB do agronegócio nacional. E no ano passado, essa participação ficou em 11,47%.

“O bom é que foi uma recuperação da riqueza, ou seja, do produto e não do custo”, observa o secretário da Agricultura, Gilman Viana Rodrigues. Como o estudo do PIB leva em consideração toda a cadeia produtiva do agronegócio – atividades básicas, agroindústria e os setores de insumo e distribuição –, aumento nos valores de transporte ou fertilizantes, por exemplo, também poderiam impactar na alta. Mas não foi o que ocorreu. Ele pondera que a diversificação de cultura no estado também ajudou a expandir a participação na fatia do PIB do agronegócio nacional. Enquanto outras regiões sentiram mais a depreciação de preços de alguns grãos, como o milho, aqui o efeito de valores mais baixos acabou minimizado.

Na opinião do superintendente técnico da Faemg, Affonso Damasio, a participação de 12,3% é histórica. “Minas sempre representava 10% de tudo no país. Agora essa trajetória começou a mudar”, avalia. Para ele, esses números do PIB ainda podem melhorar um pouco mais até o fim do ano. Isso porque as carnes bovinas e suína estão em trajetória de valorização que ainda não foram registradas no estudo atual. Os faturamentos das indústrias de açúcar e álcool e celulose também estão em alta, o que pode impactar o resultado final de 2010. A pesquisadora da área de Macroeconomia do Cepea, Adriana Ferreira Silva, diz que houve uma recuperação do agronegócio em todo o Brasil. “Mas em Minas Gerais esse processo está mais acelerado”, pondera.

O café, segundo Viana, foi a grande vedete de 2010, pois além de ter grande peso na produção agrícola do estado e contar com uma safra mais robusta neste ano também registrou recuperação de preços. “Em 2009 faltou café de qualidade no mercado internacional e a oferta foi quase a zero. O comprador ficou ávido pelo produto e o preço melhorou”, explica Viana. Se o dólar não estivesse tão desvalorizado, frente ao real, os resultados da cultura poderiam ser ainda maiores que os 29% registrados. O cafeicultor Henrique Pinto Bíscaro, de Varginha, no Sul de Minas, confirma que o preço da saca melhorou. “Neste ano consegui ter uma renda bem superior ao custo de produção”, observa. Ele nem se lembrava mais da última vez que isso tinha ocorrido pois na maioria das colheitas anteriores seu lucro quase empatava com o custo. O desempenho fraco do café, inclusive, o levaram a apostar também no eucalipto, que está em alta. “A diversificação é importante.”

No caso da laranja e do carvão vegetal, que tiveram crescimento do PIB em 76% e 59%, respectivamente, a justificativa para a alta foi a base muito baixa do ano passada, em decorrência da crise econômica internacional.

Fonte: Jornal Estado de Minas | Coffee Break

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