Cafezinho ficará até 15% mais caro no Brasil ainda este ano

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Com as altas registradas no preço do café desde o ano passado, as indústrias do setor se preparam para reajustar os valores de seus produtos para acompanhar o movimento do mercado. No último ano os custos para processar o café subiram mais de 50% e os preços nas gôndolas tiveram incremento de apenas 12%. Por sua vez, os produtores do grão, que estão em plena colheita, seguem retendo as vendas no aguardo de novas altas para o café.

A cafeicultura brasileira vive uma das melhores fases de sua história, isso porque a produtividade nas lavouras cresce a cada ano. Os preços ganharam novos patamares, a qualidade está melhor e a busca pelo produto no mercado interno e externo segue crescente. Para o diretor executivo da Abic, Nathan Herskowicz, essa é a nova era do café para o País.

“De fato o momento da cafeicultura brasileira é especial e único, os produtores, industriais, cooperativados não se lembram de uma época onde as coincidências de fatores fossem tão grandes para garantir a alta de preços que vimos desde o ano passado. Esse conjunto de fatores deu sustentação a novos patamares de preços, e agora ninguém mais imagina os valores voltando a recuar”, disse.

Apesar da previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) de uma colheita de 43 milhões de sacas nesta safra 2011/2012, que já começou, o setor segue com a previsão de colher mais de 47 milhões de sacas, devido, principalmente, ao clima favorável nas principais regiões produtoras do País. Já as comercializações da nova safra seguem em ritmo lento, dada a retração dos compradores e a espera dos vendedores por preços ainda mais elevados.

“Os negócios no mercado de café brasileiro seguem em ritmo bastante lento. A média de preços para o café arábica no primeiro semestre foi de R$ 503,91 a saca, com aumento de 75,7% em relação ao primeiro semestre de 2010, quando a média semestral foi de R$ 335,17″, afirmou a analista de mercado Natália Fernandes, da Hencorp Commcor.

Em algumas regiões produtoras de café arábica, como no Cerrado de Minas Gerais, agentes consultados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) comentaram que têm limitado as vendas, já que o volume disponível para comercialização não é grande. “Esses vendedores têm expectativa de que os preços subam nos próximos meses”, frisou Fernanda Giraldini, analista da entidade.

Para Herskowicz, com a nova alta de preços esperada por todo o setor, a indústria, que não reajusta corretamente os preços desde o ano passado, prevê um incremento nos valores de venda de 15%. “A indústria já está sentindo esses efeitos e tem dificuldades em fechar novos negócios e acertar os seus preços. Tão logo o custo do processamento do grão está aumentando.

Se compararmos este ano ao ano anterior, os custos já subiram mais de 50%, e a industria cafeeira não conseguiu repassar esse preço. Na média, os preços na prateleira de maio do ano passado até junho deste ano subiram 12%. Nos níveis de preços de hoje, a industria precisará reajustar em 15% seus valores na média”, contou.

Outra medida que o setor está tomando para se ajustar à nova realidade da agricultura no mundo é a mudança na cobrança tributária do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Segundo o diretor da Abic o setor desenvolveu um estudo junto ao Ministério da Fazenda e criou uma minuta de medida provisória para levar à Câmara.

“O novo sistema eliminará esse problema, e a tributação não recairá mais na cadeia produtora de café, mas sim sobre a industria e sobre o varejo. O varejo seguirá com a mesma tributação de hoje, e a industria receberá um crédito presumido de 80% apenas, que é menor que o atual”, disse ele, ao comentar que essa medida poderá ser votada já na semana que vem, após a volta do recesso da Câmara dos Deputados.

Fonte: AgnoCafe

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