Cafezinho fica 10,3% mais caro em 2012

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O cafezinho é o companheiro de muitos trabalhadores, principalmente em três ocasiões: antes e depois do expediente e após o almoço. O problema é que ele ficou, em média, 10,3% mais caro em 2012. Levando em consideração que os acostumados com a bebida dificilmente consomem só um por dia, o peso do produto no fim do mês ficou bem maior.

É o caso do taxista de São Bernardo Cacildo Presente Angioleto. Há oito anos na profissão, ele pega no volante por volta das 3h30. "Entro bem cedo e deixo o serviço por volta das 15h", conta. Durante esse período, consome cerca de oito cafezinhos. "Gasto entre R$ 15 e R$ 20 diariamente", contabiliza.

No fim do mês, Angioleto tem despesa média de R$ 350 com os cafezinhos, que sempre acompanham um cigarro, o que demanda outra parte da renda. "O cigarro é um vício. Mas no caso do café, eu tomo porque gosto." O taxista brinca que, para ele, o melhor café é o grátis, mas afirma que tem percebido aumento constante nos preços da bebida do começo de 2012 até hoje. "Tem padaria que cobrava R$ 2 e agora está cobrando R$ 4, e não vale o preço", avalia.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a bebida ficou 10,3% mais cara em 2012 na Grande São Paulo. Este é um dos resultados do recorte da Região Metropolitana do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). O indicador aponta a variação média dos preços para as famílias com renda mensal entre um e seis salários-mínimos.

Os consumidores pagam mais caro no item neste ano, principalmente, porque o pacote de café moído também encareceu. O comerciante de São Bernardo Douglas Silveira percebeu o aumento. Enquanto está no trabalho, ele normalmente não gasta dinheiro com a bebida, já que a empresa em que atua fornece o produto gratuitamente aos funcionários. Ele também pesquisa os estabelecimentos que vendem almoço e não cobram pelo cafezinho. Porém, Silveira faz café em casa.

"Eu não sei precisar quanto que o pó de café aumentou. Mas quando eu vejo que o preço está muito além do comum, vou pesquisar em outros mercados e sempre acho por valores menores", explicou Silveira. Ele consome, em média, quatro cafezinhos por dia.

O INPC mostra que as famílias da Grande São Paulo pagam, em média, 10,17% a mais, pelo pacote de café moído, do que no início de 2012. Gerente de uma lanchonete no Centro de São Bernardo, Roberto Valentin da Silva lembra que pagava R$ 5,60 pelo pacote de um quilo do grão moído no mercado. "Agora, estamos desembolsando R$ 6,25 pelo produto", revela. O encarecimento que Silva encontrou, de 11%, está bem próximo da média apresentada pelo indicador do IBGE. "Tive que vender mais caro. Aumentei o cafezinho de R$ 1,30 para R$ 1,50."

PRODUTOR

A conta não fecha emparelhando a variação do preço da saca de 60 quilos de café em grão e a inflação ao consumidor. Segundo o Cepea/Esalq-USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo), essa mercadoria teve queda de 28,8% no valor, entre dezembro de 2011 e dezembro de 2012. Passou de R$ 485,19 para R$ 333,66.

Para o diretor executivo da Abic (Associação Brasileira da Indústria do Café), Nathan Herszkowicz, está clara a situação: o preço do café é definido de acordo com o mercado internacional do grão. "O produtor e o comerciante, que vendem os grãos para a indústria moer e torrar, acompanham diariamente essa precificação e repassam imediatamente."

Herszkowicz explica que a indústria, normalmente, não consegue repassar os reajustes do mercado financeiro para os varejistas, muito habilidosos na negociação e que não aceitam inflações exorbitantes. "Então, todos os aumentos de custo que tivemos entre 2010 e 2011 acabaram entrando em 2012." Ele destaca que na cadeia produtiva do café, os reajustes de preços da saca demoram entre quatro e seis meses para chegar ao consumidor.

A equipe de analistas de café do Cepea/Esalq-USP informou, por nota, que a alta pode ser muito mais por causa de negociações de valores na safra do que aumento efetivo. Isso porque a safra 2011/12 teve seus preços negociados, em média, em 6,3% a menos do que na safra 2010/11.

Herszkowicz pontua ainda que a demanda dos consumidores não tem influência direta no preço do café, já que é uma constante. Segundo levantamento da Abic, em abril do ano passado, cada brasileiro consumia 4,94 quilos de café moído torrado por ano. "O consumo subiu no fechamento do ano de 2012 seguindo a tendência da série histórica", disse o diretor, que se recusou a revelar o resultado.

Bebida é indispensável para o faturamento

O cafezinho é um produto importante para os estabelecimentos comerciais. Além de representarem fatia do faturamento, normalmente estimulam os consumidores a comprarem outras mercadorias.

A proprietária da lanchonete Savinas, em São Bernardo, Maria Neuma Barbosa, vende diariamente cerca de 120 cafezinhos pelo preço de R$ 1,50. "A maior demanda está concentrada no período da manhã, quando as pessoas vão entrar no trabalho. Depois vem a hora do almoço e, após isso, no fim da tarde."

O marido de Maria, Edilson Dantas Barbosa, também proprietário da lanchonete, revela que no fim do mês, apenas o cafezinho representa cerca de 15% do faturamento do negócio. E normalmente as pessoas compram também um cigarro ou um salgado para acompanhar a bebida.

O gerente Roberto Valentim da Silva, da lanchonete Toya, em São Bernardo, calcula que o percentual é um pouco menor. "O cafezinho representa cerca de 3% da receita", afirma o comerciante. No entanto, ele é item indispensável, pois a maioria das pessoas que passam pelo local para tomar um café também compra um pão de queijo, que gera cerca de 5% do faturamento.

Segundo Silva, a demanda diária é de 80 cafezinhos e o período da manhã também é o de maior número de vendas do produto na sua lanchonete.

Fonte: Diário do Grande ABC – SP

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