Cafeicultores no Sul de Minas buscam indicação geográfica

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O mercado aquecido para os cafés especiais e com características exclusivas de uma região vem incentivando os cafeicultores da Associação dos Produtores de Cafés Especiais da Região de Poços de Caldas (Cafés Vulcânicos), no Sul de Minas, a investirem na conquista do selo de Indicação Geográfica (IG), concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). Várias ações estão em desenvolvimento e a expectativa é agregar valor ao café diferenciado e facilitar o acesso a novos mercados.
 
De acordo com o presidente da “Cafés Vulcânicos”, Marco Antonio Lobo Sanches, a busca pelo selo IG tem o objetivo diferenciar o café da região das demais e, com isso, conquista melhores valores para a comercialização da produção. Os preços pagos pelos cafés especiais são, pelo menos, 40% superiores aos grãos comuns. Até o momento, são 30 produtores associados, mas a expectativa é ampliar o número com as ações voltadas para a conquista do selo IG.
 
“Além da qualidade superior do café, o ponto crucial para buscarmos o IG é o solo vulcânico presente na região, que possui características físicas e químicas diferenciadas, dando ao café um sabor único. Nossos trabalhos foram iniciados há dois anos e ainda temos que avançar muito no processo para a identificação geográfica, mas estamos otimistas com os resultados que vamos conquistar no futuro”, ressalta.
 
A altitude, acima de 1.100 metros, e o clima da região também favorecem a qualidade dos grãos vulcânicos. Segundo Sanches, os cafezais da região ficam expostos à insolação por 12 horas e, durante a noite, a queda brusca de temperatura faz o metabolismo do cafeeiro concentre nos frutos maior volume de açúcares, tornando-os mais adocicados.
 
Na graduação de qualidade dos cafés, que é dividida em três itens e tem pontuação variando de 1 a 5, o café especial vulcânico é classificado com a intensidade de bebida 4, doçura 5 e complexidade 3. Na prova de xícaras, a pontuação é de 80 pontos para cima.
 
Sete municípios produtores estão em fase de análise para comprovar que possuem as características exclusivas da região na produç&atatilde;o do café, são eles: Poços de Caldas, Andradas, Botelhos, Campestre, Cabo Verde, todos em Minas Gerais, e Caconde e Divinolândia em São Paulo.


 
Potencial – O potencial produtivo do município de Poços de Caldas varia de 150 mil a 250 mil sacas de 60 quilos ao ano. O volume da região dos cafés vulcânicos ainda está em levantamento, mas os atuais associados são responsáveis por uma produção anual em torno de 50 mil sacas. A safra atual, em função da bienalidade negativa, deve ficar de 25% a 30% menor. Do volume total a ser colhido, apenas 15% dos grãos são classificados como especiais.
 
A qualidade diferenciada faz com que os cafés especiais sejam mais valorizados no mercado e a saca de 60 quilos chega a ser negociada por até R$ 1,2 mil, dependendo da qualidade do café.
 
Os preços atuais pagos pelo café tradicional, cerca de R$ 500 por saca de 60 quilos, são insuficientes para garantir rentabilidade aos cafeicultores, isso porque os custos de produção foram alavancados no último ano.
 
De acordo com Sanches, as principais altas foram verificadas nos gastos com energia elétrica, que subiram 100% em 2015, seguido pelo reajuste próximo a 70% nos preços dos adubos e de, pelo menos, 50% nos demais insumos da atividade. Além disso, a inflação e os juros elevados também comprometeram as margens dos cafeicultores. A mão de obra, escassa e onerosa, também foi reajustada.
 
“A agregação de valor ao café é muito importante para que o cafeicultor seja remunerado e consiga manter os investimentos na produção, uma vez que nossos custos são mais elevados por estarmos em região montanhosa, onde o uso da mecanização é inviabilizado pelo relevo. O preço médio de R$ 500 por saca de café são suficientes para garantir boa remuneração, mas a atual situação do País não permite que isso aconteça”, oberva Sanches.

Fonte: Diário do Comércio (Michelle Valverde)

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