Cafeicultores mineiros aprendem técnicas na Colômbia

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Os vencedores do 14º Concurso Estadual de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais, certame que foi realizado em dezembro de 2017, conheceram o sistema de produção de café especial na Colômbia, país reconhecido mundialmente pela qualidade do grão. Em viagem realizada em maio, os cafeicultores tiveram a oportunidade de visitar fazendas produtoras e a ideia é que apliquem várias técnicas já utilizadas na produção colombiana em Minas Gerais. A viagem foi promovida pela Atlantica Coffee, empresa do Grupo Montesanto Tavares.

De acordo com o coordenador de Sustentabilidade da Atlantica Coffee, Thiago Franco da Silveira, a viagem promovida pelo grupo é importante para a troca de conhecimento entre os produtores e para o aprendizado de novas técnicas que podem ser adaptadas à produção nacional e contribuir para o ganho em qualidade do café.

Participaram da viagem os representantes dos melhores cafés de Minas Gerais das quatro regiões produtoras do Estado (Cerrado, Matas de Minas, Chapada e Sul de Minas) e um extensionista da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG).

“As viagens sempre são muito produtivas. Os cafeicultores tiveram a oportunidade de ver a diferença de métodos de produção e poderão implantá-las no Brasil. Foi uma oportunidade muito bacana, principalmente pelo conhecimento que poderão agregar à produção local e levar para a comunidade. A participação do técnico da Emater-MG também é muito relevante porque o que ele aprendeu na Colômbia poderá ser repassado para os colegas e, dessa forma, pulverizar o conhecimento com vários cafeicultores”, explicou Silveira.

Ainda segundo Silveira, conhecer técnicas ainda não utilizadas no Estado é importante para os produtores, principalmente para os pequenos. É uma oportunidade de aplicar o conhecimento no campo e produzir cafés especiais e diferenciados. O resultado poderá ser a agregação de valor ao grão.

Cafeicultores do Cerrado, Chapada, Sul e Matas de Minas se preparam para novos mercados (Foto: Sorriso Filmes/Divulgação)

Colheita seletiva – Um dos participantes da viagem foi o administrador da Fazenda Boa Vista, localizada em Dom Viçoso, no Sul de Minas, Joaquim Adolfo Pinto Noronha. O café conquistou o primeiro lugar na categoria natural do Sul de Minas.

De acordo com Noronha, a viagem foi muito produtiva. Além da oportunidade de conhecer produtores colombianos, algumas técnicas serão testadas na Fazenda Boa Vista. A expectativa é ampliar ainda mais a qualidade do café produzido, o que é importante para agregar valor e conquistar novos compradores.

“O caminho da cafeicultura é investir nos cafés especiais, para ter uma bebida diferenciada no mercado e agregar valor. A viagem para a Colômbia foi uma oportunidade para conhecer novas formas de produzir e vamos testar algumas na nossa produção. Além de os colombianos fazerem a colheita seletiva ao longo do ano, a fermentação a frio é bem interessante e vamos testá-la. Esperamos que a técnica traga bons resultados”, explicou Noronha.

Para a safra 2018, as expectativas em relação à qualidade do café são positivas. O clima contribuiu para o bom desenvolvimento e maturação uniforme dos grãos. A previsão é colher cerca de 600 sacas de 60 quilos de café. O volume será menor que o obtido no ano passado, devido ao esqueletamento feito nos cafezais. Os investimentos na produção são constantes. Somente neste ano, foram plantados 35 mil cafeeiros na Fazenda Boa Vista e em três anos estarão produzindo.

Fermentação a frio – Novas técnicas aprendidas na Colômbia também serão testadas no Sítio Moinho Grande, em Espera Feliz, na região Matas de Minas. O cafeicultor Antonio Cezar Júnior participou da viagem à Colômbia representando a mãe, Sebastiana de Oliveira Faria, que foi a grande vencedora estadual e das Matas de Minas na categoria cereja.

De acordo com Cezar Junior, as modificações na produção serão implantadas na atual safra. “Aprendemos muito visitando os produtores da Colômbia, que nos receberam bem e compartilharam as técnicas. Vamos testar a fermentação a frio. Queremos diminuir o calor dentro das estufas colocando sombrite para evitar que a temperatura supere 40 graus. O objetivo é que o café seque de forma mais lenta, não perdendo a qualidade e expressando o que há de melhor nos resultados na prova de xícaras. Também queremos fazer duas colheitas seletivas. Nosso terreiro está praticamente todo cercado. Ao ficar isolado conseguimos evitar contato do café com animais, preservando a qualidade”.

Os investimentos na produção de cafés especiais serão constantes. Segundo Cezar, a qualidade diferenciada é a melhor forma de agregar valor e gerar maior rentabilidade para a família, garantindo também o interesse dos jovens para continuarem na produção do café especial. Para diversificar a atuação, o cafeicultor está investindo em cursos, como de torra e degustação das bebidas.

“A procura pelo café especial é grande. Já estamos vendendo o café torrado e com a nossa marca para os turistas que visitam nossa região. É importante aprimorar as técnicas para termos um café cada vez melhor. Estamos otimistas com a safra atual e vamos participar de vários concursos de qualidade do café”.

Neste ano, a produção no Sítio Moinho será de 600 sacas de 60 quilos, sendo que, deste volume, pelo menos 300 sacas serão de cafés especiais. Com o clima favorável, a produção total de café ficou 35% maior que a do ano passado.

Realização – A competição é promovida pelo governo de Minas Gerais, por meio da Emater-MG e Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), em parceria com a Universidade Federal de Lavras (Ufla), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas e a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (Faepe). A Atlantica Coffee é uma das empresas patrocinadoras do certame.

Fonte: Diário do Comércio (Por Michelle Valverde)

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