Cafeicultores estão cautelosos com a safra ainda em andamento

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No final do ano passado, o acelerado aumento de preços para a saca de café pegou a maioria dos cafeicultores de surpresa.

Poucos tinham café suficiente para explorar os melhores valores. A expectativa ficou para a safra atual, que ainda não começou ser colhida. A corrida é para uma boa negociação na venda antecipada. Os especialistas perceberam que os produtores estão cautelosos.

O norte americano Henry Dunlop, consultor em gerenciamento de risco na cafeicultura, traçou o histórico do último aumento nos preços que pegou muitos cafeicultores brasileiros de surpresa, mas foi um movimento que começou há pelo menos duas safras.

– Tínhamos alguma quebra que começou há três anos em algumas regiões da Colômbia, e uma geada há dois anos no México. A produção dos cafés lavados foram os primeiros que pularam nos diferencias internacionais. O que aconteceu foi, a Colômbia, com 80 e 85 pontos acima de Nova York – explica.

Em algumas regiões, a colheita começa na primeira quinzena do mês de maio os produtores estão aproveitando para fazer a venda antecipada da safra, devido aos bons preços futuros. Mais de R$ 500 para entrega no segundo semestre. Mas a cautela faz parte da negociação, os produtores sabem que o ideal é não comprometer mais do que 30% da produção.

Na fazenda Santa Barbara, na região do Cerrado mineiro, o cafeicultor Mucio Cardoso irá colocar as máquinas para colher no dia 9 de maio. Em 2010, ele já havia vendido boa parte da safra ao preço de R$ 300. Com a alta no final do ano garantiu uma média de R$ 350. O produtor considera o bom momento para a reposição de perdas.

– O café não está com preço exorbitante, está simplesmente repondo o buraco que a cafeicultura deixou. Porque ficamos cinco anos trabalhando com preços – comenta o cafeicultor.

Para o cafeicultor Carlos Dorna Alvarez o cenário reforça o aprendizado dos cafeicultores com as crises do passado.

– É hora de arrumarmos a casa. Podemos estabilizar e manter a lavoura com recurso próprio e não querer expandir. Porém é um período curto, temos dois ou três anos, depois volta os preços básico que estamos acostumados – relata.

Mesmo assim, Alvarez está negociando firme no mercado de futuros e da safra que nem começou a colher.

– Já fiz comercialização de uns 30% a 32% da safra que vamos colher agora e a safra com colheita para 2012 comercializei um pouco também – comenta.

– Os produtores estão um pouco mais cautelosos, irão estudar em tentar maior produtividade. Investir em novas produções é difícil, eles não tem certeza do que fazer ainda – explica Dunlop.

Fonte: Coffee Break

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