Cafeicultores enfrentam dificuldade para encontrar apanhadores no ES

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Os produtores de café do norte do Espírito Santo têm dificuldade para contratar trabalhadores para a colheita deste ano. Muitos trabalhadores trocaram o serviço no campo por uma vaga nas indústrias da região. Além disso, os colhedores que vinham da Bahia estão preferindo permanecer no próprio estado.

O município de Itabela, no sul da Bahia, sempre foi um fornecedor de mão de obra para as lavouras de café do Espírito Santo. Mas, essa realidade começou a mudar neste ano. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itabela, no ano passado três mil colhedores de café migraram para municípios do Espírito Santo, causando falta de mão de obra na Bahia. Em 2012, o êxodo de trabalhadores diminuiu. Apenas 400 pessoas deixaram o município para apanhar café no estado vizinho.

Um dos motivos foi o desenvolvimento da cafeicultura em Itabela. O município cultiva 2,39 mil hectares de café conilon. Houve aumento de 20% em relação há cinco anos. Os produtores também passaram a remunerar melhor os apanhadores, equiparando o preço com o Espírito Santo.

O trabalho rural Aguinaldo Ferreira, que já apanhou café no Espírito Santo, prefere ficar na Bahia. Ele chega a tirar até R$ 5 mil por mês.

No Espírito Santo, os cafeicultores enfrentam o problema da redução de trabalhadores da Bahia e a instalação de indústrias, que retira mão de obra dos cafezais. No município de Linhares foram instaladas nos últimos dois anos foram instaladas 48 novas empresas, que absorveram quase 2,5 mil trabalhadores.

Segundo o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, as empresas provocaram o aumento da concorrência com o campo. “As empresas dão melhores condições de trabalho ao trabalhador, como cesta básica, plano de saúde, kit alimentação e outros benefícios que a agricultura não tem como acompanhar”, explica Antônio Bourguignon, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais.

O agricultor Virgílio Gama precisa de 120 apanhadores. Na fazenda, não há pessoal suficiente para fazer a colheita dos grãos nos pés de café da fazenda que estão maduros. “Eu comecei a safra com 120 pessoas. Com uma semana, caiu para 60. E estou com 60 até hoje. Esse pessoal não vai dar para colher todo café”, diz.

Em Linhares, no Espírito Santo, como em Itabela, na Bahia, o colhedor está recebendo uma média de R$ 7 pela saca de café colhido, um valor 16% maior em relação ao pago na safra passada.

Fonte: Globo Rural

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