Cafeicultores de São Paulo contestam cálculo de produtividade de seguro agrícola

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Produtores de café de Espírito Santo do Pinhal, no interior de São Paulo, estão tendo problemas com o seguro agrícola. A safra na região deve ser até 40% menor por causa da estiagem (foto: Emídio Madeira/Canal Rural) sofrida no Verão, mas a seguradora afirma que a produção será mais que o dobro da que é esperada pelos cafeicultores. Essa diferença pode representar o não pagamento do seguro.

O produtor Valdevir Belle se prepara para uma produção 30% menor, com, no máximo, 40 sacas de 60 Kg por hectare. O laudo do seguro aponta uma produtividade quatro vezes maior. O cafeicultor fez o seguro da lavoura junto com o financiamento para o custeio da produção.

– Eles fazem uma conta que não existe – protesta Belle.

O engenheiro agrônomo da Cooperativa de Cafeicultores da Região de Pinhal (Coopinhal), Celso Scanavachi, contesta o laudo do seguro e afirma que a produção vai ser menor este ano.

– A perda deve ser de, em média, 20% a 40% – relata Scanavachi.

Os pés de café estão carregados, mas muitos frutos só têm casca, ou grãos pequenos. Alguns parecem se esfarelar entre os dedos. Como consequência, menor quantidade e qualidade. E com a qualidade prejudicada, cai a remuneração do cafeicultor.

O cafeicultor Renato Augusto Mazarini já fez a colheita e as perdas chegaram a 40%. Ele tem uma pequena propriedade e financia a lavoura com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que é o crédito com seguro para cobrir os custos de produção. Mas o cafeicultor afirma que a burocracia é tanta que ele prefere arcar com o prejuízo.

– Eu tentei recorrer ao seguro. Mas na hora que eu fui recorrer, eu já fiquei sabendo que depois de eu ter acionado, eu não consigo renovar o Pronaf. Eu tenho que pagar, para não ficar inadimplente. Eu pagando, não consigo retirar o dinheiro de novo. Então, não tem jeito. Eu aciono o seguro e não consigo receber, porque é muito demorado. Eu não aciono o seguro e fico com o prejuízo que vai dar o café. Não tem pra onde a gente correr – relata Mazarini.

Os cafeicultores da região já avaliam a possibilidade de entrar na Justiça em uma ação conjunta para o recebimento das apólices.

– Nós estamos contestando que a fórmula que eles estão usando é uma fórmula usada para grãos, para milho, para soja, para cereais. E esta mesma fórmula está sendo aplicada ao café. E aí, ao invés de diminuir a produção, acaba aumentando. Se a produção aumenta, o produtor não tem direito de ser ressarcido pelo seguro – explica o engenheiro agrônomo, Scanavachi.

Em nota, a seguradora Aliança do Brasil afirmou que só pode se manifestar após verificação das apólices e análises das perícias realizadas. A empresa disse que as perícias seguem “os mais rigorosos padrões e normas aplicáveis ao segmento de seguros rurais”.

Canal Rural – RuralBR / Roberta Silveira

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