Cafeicultor pressiona governo com suspensão de pagamento

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Os produtores de café não deverão pagar as dívidas que vencem neste mês até o governo dar uma resposta aos pleitos do setor. Essa foi a postura dos presidentes de cooperativas, associações e sindicatos rurais reunidos ontem em Belo Horizonte, afirmou o presidente do Sindicato Rural de Guaxupé (MG), Mário Guilherme do Valle, que estima que a dívida da cafeicultura seja de "ao menos" R$ 8 bilhões. 

Segundo Valle, o governo sinalizou, por meio da Confederação Brasileira da Agricultura e da Pecuária (CNA), que dará uma resposta ao setor em dez dias. Até lá, os produtores não devem honrar com o pagamento das dívidas. "Houve consenso entre os presidentes dos sindicatos que ninguém vai pagar nada que for vencer agora. Primeiramente, porque não tem condição. Em segundo lugar, para de certa forma forçar o governo a tomar alguma medida para a gente", afirmou Valle em entrevista ao DCI.

Ele afirmou que muitos produtores da região de Guaxupé, maior centro de produção de café de Minas Gerais (MG), já têm pedindo aos bancos credores o adiamento dos prazos. A maior parte das dívidas foi contratada no ano passado diretamente com as instituições financeiras por meio de linhas de crédito agrícola para custeio das lavouras.

"Muitos produtores da região já não estão mais pagando conta nenhuma. Principalmente para os bancos, cujos financiamentos começam a vencer todo mês de novembro. [Os produtores] estão entregando cartas a instituições financeiras colocando essa questão", afirmou Valle. Mesmo no Espírito Santo (ES), onde o café do tipo conilon, que sofreu menos desvalorização, é o mais cultivado, também já há casos de agricultores que sinalizam não terem condições de honrar com os vencimentos. Gilliard Cardoso, da Coopeavi, diz que "na cooperativa os produtores não chegaram a expressar algo, mas temos ouvido falar de produtores que já estão pleiteando que joguem dívida pelo menos alguns meses para frente". As medidas individuais já vêm sendo tomadas enquanto o governo não dá uma resposta para o setor.

Na semana passada, a CNA enviou um ofício à Casa Civil da Presidência da República e aos ministérios da Agricultura e da Fazenda solicitando a suspensão automática por 90 dias do pagamento das parcelas do crédito rural dos cafeicultores. Os diretores de sindicatos e cooperativas querem que o prazo de suspensão se estenda por 120 dias, segundo Valle. "Para que produtores não fiquem inadimplentes e seus nomes não vão para o Serasa, estamos pedindo para o governo um intervalo de 120 dias de prorrogação de todas as dívidas da cafeicultura para que as associações e sindicatos apresentem um estudo detalhado do que a cafeicultura precisa", explicou Valle. Ele ressaltou que há casos de produtores no sul de MG que já erradicaram entre 15% de suas lavouras por causa dos prejuízos.

Preços recuam de novo
Ontem, a saca de 60 quilogramas do café arábica foi negociada em São Paulo por R$ 241,50, queda de 0,74% ante sexta, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Na semana passada, a saca de 60 quilogramas do café arábica foi negociada em São Paulo por R$ 242,84, segundo a média móvel calculada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Porém, em Minas Gerais, o valor da saca chegou a ser negociada por R$ 200, segundo o presidente do sindicato de Guaxupé.

Fonte: DCI

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