Café volta a subir na ICE; especialista não descarta correção

Imprimir

Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta quarta-feira com altas, em um dia em que, novamente, as cotações ficaram próximas dos melhores níveis em quase 14 anos, alcançados na sessão anterior, quando o maio chegou a tocar no nível de 266,75 centavos de dólar por libra peso.

Na sessão anterior ao início da notificação da posição março, várias ações de rolagens de posição foram observadas. O mercado demonstrou, ao longo do dia, alguma volatilidade, dentro de um quadro de normalidade, ante as valorizações tão significativas observadas ao longo das últimas semanas.

No encerramento do dia, o março em Nova Iorque teve alta de 60 pontos com 258,65 centavos, sendo a máxima em 261,60 e a mínima em 255,10 centavos por libra, com o maio tendo oscilação positiva de 50 pontos, com a libra a 261,60 centavos, sendo a máxima em 264,60 e a mínima em 257,80 centavos por libra. Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição março registrou perda de 11 dólares, com 2.241 dólares por tonelada, com o maio tendo desvalorização de 13 dólares, com 2.282 dólares por tonelada.

De acordo com analistas internacionais, as ações da quarta-feira foram caracterizadas pelo retorno de vários operadores "bulls" (altistas), que permitiram ao mercado alguma recuperação, ainda que não nas máximas da sessão passada, quando uma forte volatilidade foi verificada e, por fim, os preços fecharam em baixa por conta de realizações Os contratos futuros de café vêm em uma ação de altas há meses no mercado internacional.

Desde maio do ano passado, por exemplo, o contrato de maio passou de meros 134,80 centavos para 266,75 centavos. Observando o comportamento gráficos dos últimos meses se verifica a manutenção de uma tendência altista, a caminho da máxima de julho de 1997, que atingiu 275,00 centavos por libra. Apesar desse cenário otimista, o mercado ainda pode estar em uma "zona perigosa".

O Índice de Força Relativa mostra uma "divergência baixista", com os preços mostrados nos terminais de futuros se aproximando das máximas de 14 anos, mas com o indicador do Índice de Força ficando abaixo do observado em dezembro, quando o maio era negociado nos futuros próximo de 241,00 centavos. Segundo operadores, esse fato mostraria que o momento não confirmou seu impulso para o alto nos novos ganhos dessa semana, fator que, tradicionalmente, suscita uma leitura baixista.

Peter DeSario, analista técnico da Elliot Wave Internacional, com base em uma análise gráfica própria, o mercado "está fazendo uma alta forte." Ele explicou que trabalha com uma análise baseada em ondas, que se desdobram em cinco variáveis, sendo a um, a três e a cinco como tendência e a dois e quatro como contra-tendência, sendo que, quando a onda cinco é completa, é observada uma correção de três ondas.

DeSario sustentou que o gráfico diário de café de maio está "completando cinco ondas desde 5 de outubro do ano passado, quando o mercado indicou baixa em 173,85. Desde então, o especialista viu ondas em 10 de novembro, na alta de 222,30 centavos e duas ondas de recuo. Em 12 de janeiro, o mercado viu nova onda de alta de 245,90, seguida da onda quatro, corretiva, em 20 de janeiro, no patamar de 228,50 centavos por libra. "Agora o mercado está no movimento de rally de sua quinta onda, após ter batiddo na máxima de 266,75 centavos, o que poderia ser o fim desse movimento", disse o especialista, que ressaltou que "seria possível ainda ao mercado alongar um pouco os ganhos, mas os players poderiam liquidar um pouco no curto prazo, podendo procurar o níve de 228,00 centavos por libra", complementou.

Segundo o especialista, essa correção surgiria após as cinco ondas, puxando o mercado para baixa do nível de 20 de janeiro — 228,50 centavos —, sendo que, caso isso se efetive, o mercado poderia, inclusive, ampliar as perdas, para um cenário próximo dos 200,00 centavos. A safra de café no Brasil em 2011/2012 poderia atingir 47,5 milhões de sacas, estimou a empresa exportadora Comexim. A avaliação da empresa é bem maior que a estimativa oficial, da Conab, que prevê uma produção variando entre 41,9 e 44,7 milhões de sacas.

Os exportadores do país normalmente trabalham com números maiores que os oficiais. A próxima safra cafeeira do Brasil começa a ser colhida em maio e será, neste ano, inferior à do ano passado, devido à bianualidade da cultura. Em 2010/2011, a Comexim estimou a safra brasileira em 55,4 milhões de sacas, contra 48,1 milhões de sacas do levantamento oficial do país. Após algumas reuniões com o governo e representantes da categoria, o impasse da greve dos caminhoneiros da Colômbia se mantém.

A paralisação ainda traz poucos reflexos para o café, mas afeta fortemente outras culturas agrícolas, como frutas e verduras. As exportações de café do Brasil em fevereiro, até o dia 15, somaram 796.430 sacas, contra 611.982 sacas registradas no mesmo período de janeiro, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram alta de 1.440 sacas indo para 1.606.347 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 27.445 lotes, com as opções tendo 6.629 calls e 5.342 puts. Tecnicamente, o março na ICE Futures US tem uma resistência em 261,60, 262,00, 262,50, 263,00, 263,50, 263,65, 264,00, 264,50, 264,90-265,00, 265,50 e 266,00 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 255,10-255,00, 254,50, 254,00, 253,50, 253,00, 252,50, 252,00, 251,50, 251,00, 250,50 e 250,10-250,00 centavos por libra.

Fonte: AgnoCafe

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *