CAFÉ SOBE MAIS, MAS PODE SOFRER UMA PAUSA

O comentário desta semana será curto já que apenas agora (domingo, 23:30hrs) retornei para casa depois de ter tido que evacuar meu apartamento em função do furacão Irene. No total foi uma viagem de 10 horas, que com preparativos tomaram praticamente todo o final de semana. Por sinal a semana foi turbulenta com o terremoto em Virginia que também foi sentido aqui em Nova Iorque.

Bem, os mercados ao menos conseguiram subir apesar dos eventos da natureza e do presidente do FED americano não ter sinalizado um novo plano de compra de títulos. Os investidores se contentaram em ouvir o Sr.Bernanke dizer que ainda tem cartas na manga para serem usadas caso seja preciso (yeah, right!).

Os ganhos significativos dos mercados acionários nos Estados Unidos e relativamente modestos no resto do mundo não atrapalharam as commodities que também subiram, muito embora o ouro em apenas uma sessão tenha caído quase 6%.

O café não mudou sua trajetória de alta ganhando US$ 12.37 por saca na ICE, US$ 12.70 na BM&F, e US$ 4.20 na LIFFE. Como podemos notar a alta do “C” foi completamente refletida no arábica em São Paulo, o que faz com que a arbitragem se mantenha estreita, encerrando a semana em US$ 6.52 centavos por libra negativos.

A movimentação no mercado físico no Brasil foi boa com os produtores aproveitando a alta para vender um pouco de seus cafés. No FOB parece que foram negociados cafés do tipo equivalente a “swedish” a diferenciais difíceis de serem explicados, algo como US$ 20 centavos por libra de desconto – vai entender…

Nas regiões produtoras de cafés-suaves a procura por café aumentou e negócios de safra-nova foram reportados, porém os volumes foram pequenos. A falta de café e o pico da entressafra na América Central podem ser parcialmente explicados pelo crescimento da exportação dos países produtores de arábica. Segundo dado divulgado pela ANACAFÉ nesta semana, os países da América Latina, excluindo o Brasil, incrementaram suas exportações em 14% se comparados com o mesmo período da safra anterior. O total exportado entre outubro de 2010 e julho de 2011 foi de 23.1 milhões de sacas, mostrando que não houve nenhum fazendeiro que tenha virado suas costas para os preços atrativos.

Do lado do robusta tudo indica que o Vietnã colherá uma nova safra-recorde, algo que poucos imaginavam há seis meses atrás. Em função disto o mercado londrino não está conseguindo subir muito, e os diferenciais para a safra-nova tem sido oferecido a níveis atrativos para os compradores.

Para a semana que se inicia embora possamos ter uma sequência de ganho do café na ICE, por razões técnicas e por causa do recuo de venda de origens, creio que o potencial de alta é limitado. Vale ressaltar que os fundos já não estão mais vendidos, e que alguns indicadores podem não fazer com que eles montem uma posição grande comprada neste momento. Portanto acredito que estamos perto de uma realização dos preços, que deve levar Nova Iorque para baixo de US$ 270 centavos no curto-prazo.

Uma ótima semana e muito bons negócios para todos,

* Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting 

Fonte: Archer Consulting  

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