Café rompe barreiras e fecha terça com fortes altas em NY

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Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram a terça-feira aferindo ganhos intensos, com o café se posicionando nas máximas de mais de 13 anos e um mês, consolidando, efetivamente, o ótimo momento do grão no mercado internacional.

Apesar de algumas projeções gráficas indicarem que o mercado poderia desacelerar e realizar algumas correções para baixo, o que se vê nesta semana é a consolidação dos ganhos, com os contratos demonstrando ma grande força e rompendo a maior parte das resistências, que agora perdem um pouco o referencial, já que a primeira grande resistência efetiva do mercado seria em 318,00 centavos de dólar por libra peso, marca alcançada em maio de 1997.

Operadores destacaram que os fundos se posicionaram, logo pela manhã, no lado comprador, sendo que alguns stops de compra tendo sido observados, o que consolidou, ainda mais, o vigor do mercado e permitiu que o dezembro superasse o nível de 217,00 centavos de dólar por libra peso.

Graficamente, apesar de alguns baixistas ainda insistirem em alguma correção, o mercado demonstra, dia após dia, uma consistência que pouca gente do mercado consegue se lembra. Efetivamente, essa animação toda é resultante de uma conjunção de fatores, que passa desde a oferta limitada do grão no mercado internacional até as chuvas no Vietnã, mas que também tem bastante correlação com o cenário para as commodities internacionais, que respiram aliviadas após o cenário de crise internacional, desencadeado no segundo semestre de 2008.

As commodities chegaram nesta terça-feira ao melhor nível desde março de 2005, na base de cálculo do índice Thomson Reuters/Jefferies CRB, que leva em consideração uma cesta com 19 diferentes matérias-primas.

Ao longo do dia, alguns produtos deram grande suporte para essa valorização, como o próprio café, o ouro, o algodão e o açúcar. Com esse cenário, o mercado não se ressentiu, por exemplo, da ligeira recuperação do dólar, que teve alguns ganhos em relação a algumas moedas internacionais e também não foi afetado diretamente pelas bolsas de valores nos Estados Unidos, que tiveram uma terça-feira negativa.

As commodities se fortalecem à medida em que produtores de metais e de produtos agrícolas avizinham dificuldades fortes para cumprir com as demandas globais. A ameaça de uma escassez em mercados como de cobre e soja se soma ao frenesi de compras da semana passada, verificado logo após o anúncio do Federal Reserve, de que os Estados Unidos efetuarão a compra de títulos no nível de 600 bilhões de dólares.

No encerramento do dia, o dezembro registrou alta de 895 pontos, com a libra a 217,05 centavos, sendo a máxima em 217,85 e a mínima em 207,45 centavos por libra, com o março tendo oscilação positiva de 905 pontos, com a libra a 219,75 centavos, sendo a máxima em 220,55 e a mínima em 209,75 centavos por libra.

Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição janeiro teve alta de 14 dólares, com 2.060 dólares por tonelada, ao passo que o março registrou valorização de 24 dólares, com 2.052 dólares por tonelada. Ainda que os mercados se animem com o cenário de commodities, dúvidas pairam no ar.

As altas atuais estavam atreladas evidentemente ao anúncio do Federal Reserve. A maior parte dos mercados já "incluiu" o anúncio da semana passada em seus preços e essas cotações poderiam regressar aos níveis anteriores, já que essa parece ter sido a última cartada do banco central dos Estados Unidos. "Continuarão subindo os mercados quando o Federal Reserve começar a considerar em dosar o dinheiro na mesa?", questionou Matt Zeman, diretor de vendas da LaSalle Futures, em Chicago.

De acordo com analistas internacionais, o dia se mostrou amplamente favorável, com as compras especulativas também se verificando em função da forte especulação que ronda o Vietnã. O país não vem conseguindo colher a contento a sua nova safra, já que as chuvas se mantêm intensas.

Além disso, o país registra atrasos consideráveis nos embarques de café, já que muitos comerciantes não conseguem ter a matéria-prima em mãos para efetuar a remessa no momento adequado. "As chuvas continuam atingindo algumas regiões do país. O atraso nas entregas, algo justificado pela atual situação climática, é lido como temerário pelo mercado e boa parte dos ganhos recentes está atrelado a esse fator fundamental", disse um trader baseada em Belfast, na Irlanda.

Já são contabilizadas 159 mortes no país por conta das enchentes e há 40 mil desabrigados nas províncias de Phu Yen, Khanh Hoa, Ninh Thuan e Dak Lak, esta última a maior produtora de café da nação indo-chinesa. Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 1.479 sacas, indo para 1.791.414.

As exportações de café do Brasil em novembro, até o dia 8, somaram 275.933 sacas, contra 322.314 sacas registradas no mesmo período de outubro, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Tecnicamente, o dezembro na ICE Futures US tem uma resistência em 217,85, 218,00, 218,50, 219,00, 219,50, 219,90-220,00, 200,50 e 221,50 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 207,45, 207,00, 203,50, 203,00, 202,50, 202,00, 201,50 e 201,00 centavos por libra.

Fonte: AgnoCafe

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