Café: OIC vê alto preço do arábica em 2012; robusta recua

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De modo geral, a oferta de café atenderá a demanda, mas a produção da nova safra pode variar muito entre os tipos de café, uma vez que o Brasil, líder na exportação, está em um ano de baixa do ciclo bianual

Os preços do café robusta poderão cair no próximo ano por conta de seus amplos estoques, mesmo diante da expectativa de que as cotações do café arábica permaneçam firmes por sua oferta ajustada, disse o diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC), Jose Sette.

De modo geral, a oferta de café atenderá a demanda, mas a produção da nova safra pode variar muito entre os tipos de café, uma vez que o Brasil, líder na exportação, está em um ano de baixa do ciclo bianual. "Eu acredito que nós estamos em um estado de aproximação no balanço entre oferta e demanda. Algumas variedades podem ficar ajustadas, mas eu estou falando de um cenário geral", disse Sette por telefone do Brasil no sábado.

A OIC estima a produção global de café em 130 milhões de sacas de 60 kg em 2011/12, abaixo da última colheita estimada em 133,31 milhões de sacas. Falando antes da conferência de café na capital da Nicarágua, Manágua, que acontece nesta segunda, Sette disse: "Este é um movimento natural de alta e baixa, porque o Brasil tem um ciclo de alta e de baixa. (O ciclo) 2011/12 é um ano de baixa, então é natural que a safra seja menor".
A produção menor que o normal na Colômbia, um líder mundial no segmento de arábica lavado, empurrou os preços para a máxima de 34 anos no início de maio. Mas a melhora da Colômbia está pressionando por um recuo. "Ainda é cedo para dizer o quanto, mas a Colômbia definitivamente está mostrando uma recuperação dos severos problemas que enfrentou nos últimos anos", disse ele.

Os preços do contrato referência do café arábica em Nova York mais que dobraram ante o nível de dois anos atrás, mas ainda estão voláteis, caindo cerca de 20% desde o pico testado em maio. Apesar dos altos preços, a demanda por café é "saudável" na maior parte das nações consumidoras, incluindo a América do Norte, os países asiáticos e o norte da Europa.

O consumo é mais lento em países como Espanha, Portugal e Grécia, onde os "problemas macroeconômicos" locais limitam os gastos de consumidores, disse Sette. Mesmo nos Estados Unidos, onde os consumidores estão optando por marcas mais baratas em meio à incerteza da economia, a demanda é prevista para permanecer estável no próximo ano, disse ele.

Arábica firme; robusta tem ampla oferta

A agência estatal do governo brasileiro, a Conab, estima a produção do País em 43,54 milhões de sacas, bem abaixo das 48,1 milhões de sacas de 2010/11. O diretor da OIC disse que vê sinais que sugerem uma fraca safra brasileira.

"Alguns relatórios indicam que os grãos de café (do Brasil) não serão tão grandes como o normal, então a colheita é um pouco menor do que você poderia esperar", disse ele, sem dar uma estimativa para a safra brasileira. "Nos próximos meses – no próximo ano ou depois – os preços do arábica devem continuar firmes; o robusta não deve ficar tão firme porque há ampla oferta", disse Sette, acrescentando que os preços do robusta dependerão da próximas safras da Indonésia e do Vietnã.

A América Central, cuja produção de arábica foi usada como opção para alguns compradores em meio às perdas do café colombiano, reagiu positivamente na última colheita diante dos altos preços, disse Sette, ressaltando que os produtores reforçaram os cuidados com os cafezais, ajudando a melhorar a qualidade e as exportações. "Nós tivemos exportações muito fortes da América Central nos últimos nove meses", disse Sette. "Eu não prevejo que isso possa ter o mesmo tipo de aumento no próximo ano."

Fonte: ABIC

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