Café na ICE consegue ter altas, mas não rompe resistências

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Os contratos futuros de café arábica negociados na ICE Futures US encerraram esta segunda-feira com ganhos, divergindo do clima negativo que continua a predominar no mercado externo. As altas não foram das mais expressivas, no entanto, permitiram que a posição setembro voltasse a flutuar acima do intervalo psicológico de 240,00 centavos por libra.

Ao longo da maior parte do dia, os especuladores atuaram no lado comprador, o que garantiu as altas, sendo que, nas máximas, algumas realizações de lucro foram observadas, o que limitou consideravelmente o avanço do mercado. As indústrias de torrefação, mais uma vez, foram reticentes. O volume negociado foi expressivo, bem acima da média verificada, por exemplo, na semana passada.

No âmbito externo, o dia foi nervoso, com as bolsas de valores nos Estados Unidos e em boa parte da Europa registrando baixas consideráveis, sendo que, apenas ao final do dia, as perdas foram minimizadas, sendo que na maior parte dos segmentos de commodities o quadro foi idêntico, também por conta da influência do dólar, que subiu em relação a uma cesta de moedas internacionais.

Os participantes continuam atentos à questão das dívidas nos Estados Unidos, já que esta terça-feira é considerada uma data limite para a definição do imbróglio. No domingo, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou um novo projeto de cortes nos gastos governamentais acordado entre democratas e republicanos para evitar um calote do país.

Esse “fato novo” poderia dar um novo ânimo aos mercados nesta segunda-feira, no entanto, ele foi deixado de lado e muitos operadores refletiram notícias como a dos indicadores fracos sobre a indústria norte-americana. A atividade cresceu abaixo do esperado em julho, caindo para o pior nível desde o fim oficial da recessão no país, em meados de 2009.

Segundo o ISM (instituto dos fornecedores americanos), um grupo privado que calcula o indicador, a atividade manufatureira americana caiu de 55,3 pontos em junho para 50,9 pontos em julho. No início deste ano, o indicador chegou a 60 pontos por quatro meses seguidos. No encerramento do dia, o setembro em Nova Iorque teve alta de 180 pontos com 241,35 centavos, sendo a máxima em 243,70 e a mínima em 239,70 centavos por libra, com o dezembro registrando oscilação positiva de 170 pontos, com a libra a 245,30 centavos, sendo a máxima em 247,50 e a mínima em 243,25 centavos por libra.

Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição setembro registrou alta de 10 dólares, com 2.102 dólares por tonelada, com o novembro tendo valorização de 8 dólares, com 2.133 dólares por tonelada. De acordo com analistas internacionais, tecnicamente, o mercado de café não apresentou grandes novidades nesta segunda-feira. Os ganhos seriam derivados, basicamente, de um processo corretivo, já iniciado na sexta-feira. No entanto, essa correção não estaria conseguindo privilegiar resistências mais consistentes, o que poderia abrir espaço para mais compras especulativas.

“Estamos verificando um quadro parecido com aquele registrado recentemente. Passamos a ter alguma correção, mas não conseguimos assumir uma posição acima de médias móveis gráficas de curto prazo. Ou seja, não estamos caindo, mas ainda há uma percepção baixista do mercado”, disse um trader. O Ministério da Agricultura do México indicou que a safra 2010/2011 de café deverá se posicionar acima dos 4,1 milhões de sacas, abaixo dos 4,2 milhões de sacas obtidos na sessão anterior.

O clima desfavorável e a velha idade das lavouras contribuíram para a redução do volume. Apesar disso, a previsão do Ministério fica acima da apresentada pela Associação dos Produtores de Café do México que, anteriormente, havia estimado o volume a ser obtido na temporada em 4 milhões de sacas. O Ministério espera que as exportações cafeeiras cheguem a 2,4 milhões de sacas em setembro, quando se encerra o atual ciclo cafeeiro.

As exportações de café do Brasil em julho, até o dia 29, somaram 1.791.598 sacas, contra 1.601.486 sacas registradas no mesmo período de junho, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). O volume ainda não é consolidado, sendo que os números definitivos do mês devem ser divulgados em alguns dias. Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 3.505 sacas indo para 1.531.208 sacas.

O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 28.471 lotes, com as opções tendo 4.883 calls e 3.830 puts. Tecnicamente, o setembro na ICE Futures US tem uma resistência em 243,70, 244,00, 244,50-244,60, 245,00, 245,30, 245,50, 246,00, 246,50, 247,00, 247,35, 247,50, 248,00, 248,50, 249,00 e 249,50 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 239,70, 239,50, 239,00, 238,50, 238,30, 238,00, 237,50, 237,20, 237,00, 236,50, 236,00, 235,50, 235,10-235,00, 234,50, 234,00, 233,50 e 233,00 centavos por libra.

Fonte: AgnoCafe

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