Café Moca pode roubar a cena na safra 14/15 do Brasil

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Aqueles que não são aficcionados por café podem ser perdoados por não conhecerem os grãos do tipo moca, relativamente raros, mas os mercados estão perto de serem abastecidos com um bom volume dessas sementes pequenas depois de uma seca que danificou a área mais importante em produção no Brasil.

 

Os produtores e traders esperam ver muitos desses grãos defeituosos que foram afetados pela severa seca nos meses de janeiro e fevereiro no sul de Minas, Mogiana e Zona da Mata, que respondem por 35 por cento da safra do maior produtor mundial de café.

Aqueles que forem premiados com os grãos pequenos, também conhecidos como caracol em espanhol devido a seu formato, serão abastecidos com uma abundância de mocas, que frequentemente recebem um prêmio devido a sua escassez, disseram traders no porto de Santos, principal para a exportação da commodity no Brasil.

A seca deve ser a responsável pela ampla ocorrência deste tipo de grão na colheita deste ano. Em vez de dois grãos, que competem entre si durante o crescimento em cada cereja, formando sementes alongadas, as árvores são capazes de formar apenas um grão, que cresce sozinho na fruta e tem um apelo no mercado pelo seu visual.

"Temos recebido ofertas para entrega de café peneira pequena como o moca para julho e agosto, mas os produtores estão retendo a venda do cafés peneira grande 17-19 até que eles saibam o que a colheita vai lhes trazer", disse Daniel Wolthers, corretor da Wolthers Associates.

Cafés de peneira pequena e média, variando entre 9 a 16 não devem ter oferta reduzida na nova safra, disseram os traders. Grãos parcialmente formados ou quebrados também serão amplamente ofertados neste mercado.

"Será um bom ano para grãos menores. Compradores de grãos tamanho médio, para serem usados em cápsulas vendidas por Nespresso, illy e Lavazza, não enfrentarão dificuldades", disse Nilton da Silva Pinto, um veterano de 50 anos nos mercados de café em Santos e agente local para a trading de commodities Webcor.

VOLATILIDADE

Os mercados globais de café deverão continuar tendo as fortes oscilações iniciadas no final de janeiro até pelo menos agosto, quando pode ficar mais claro o tamanho da safra do Brasil devido à seca, disseram comerciantes em Santos.

Depois que o mercado foi surpreendido pelo clima intensamente quente e seco nos principais meses da temporada chuvosa em áreas de café –janeiro a março–, os preços futuros do café subiram mais de 80 por cento, superando 2 dólares por libra.

"As previsões e estratégias de comércio para a safra estão um completo caos", disse o operador de uma grande trading de café da Europa, acrescentando que ele não ficaria surpreso se uma grande safra fosse produzida este ano depois de o mercado ter se preparado para o contrário disso.

"Neste cenário, pode-se facilmente errar a estimativa para o Brasil em 3 a 4 milhões de sacas. Isso é equivalente a produção anual total de café da Guatemala", disse.

Estimativas para a safra 2014/15 do Brasil, cuja colheita já começou, variam de 41 milhões a 56 milhões de sacas.

Fonte: Reuters

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