Café: Mercado em Nova York deve continuar pressionado

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Os contratos futuros de café arábica perderam força na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), desde a confirmação da eleição do republicano Donald Trump para presidência dos Estados Unidos. O fortalecimento do dólar em relação a outras moedas empurrou para baixo as cotações de ativos de risco, como as commodities cotadas na divisa norte-americana.

Nos últimos sete dias, os futuros de arábica tiveram queda de cerca de 3,5%, enquanto o real, à vista, teve desvalorização de perto de 8,5% no período. “As commodities como um todo sofreram perdas entre a troca de investimentos, que beneficiou o mercado acionário”, informa o diretor de Commodities do Banco Société Générale, Rodrigo Costa, em relatório semanal.

Ontem o dólar perdeu força em relação ao real, graças à intervenção do Banco Central, que ofertou R$ 1,5 bilhão em swap cambial tradicional (equivalente à venda no mercado futuro). No exterior, a moeda norte-americana também reduziu ganhos, com indicadores econômicos fracos nos EUA. O Índice de Preços ao Produtor (PPI) ficou estável em outubro ante setembro no país, ante previsão de alta de 0,3% dos analistas ouvidos pelo Wall Street Journal.

Costa acrescenta que os contratos estão tecnicamente negativos. O contrato com vencimento em março/17 rompeu importantes níveis de suporte, mas ainda se mantém sustentado no longo prazo, segundo o Société Générale. O mercado pode indicar direção negativa se trabalhar abaixo de 157 cents e 147,15 cents. No lado da resistência, um movimento acima de 167,15 cents pode impulsionar as cotações para 169,80 cents, 171,80 cents, 175,50 cents e 179,55 cents.

Na Bolsa de Londres (ICE Futures Europe), o contrato com vencimento em janeiro/17 tem resistência a 2.110 dólares, seguida de 2.152 dólares e 2.199 dólares a tonelada.

Os fundos de investimento, por sua vez, continuam carregando elevado saldo líquido comprado e, aparentemente, não devem se desfazer totalmente dessa posição. Esses participantes estavam com saldo líquido comprado recorde de 58.960 lotes no dia 8 de novembro, ante 55.917 lotes no dia 1º, considerando futuros e opções, mostrou na segunda-feira relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês).

As rolagens de posição vão se encerrando, antes do início do período de notificação de entrega do contrato dezembro/16, a partir da segunda-feira (21). Na terça-feira passada (dado mais recente), o contrato com vencimento em março/17 tinha 113.031 lotes em aberto, enquanto dezembro/16 tinha em aberto apenas 15.408 lotes, para um total geral de 204.830 lotes.

Chuvas volumosas atingem as lavouras de café do Brasil nesta semana. Segundo a Climatempo, temperaturas elevadas e a disponibilidade de umidade, bem como instabilidades propagadas por um sistema de baixa pressão em superfície, propiciam chuvas recorrentes, de moderadas a fortes, na maior parte de Minas, até amanhã (18). O volume acumulado oscila de 100 mm a 150 mm, atingindo até 200 mm em pontos isolados da Zona da Mata, prevê a Climatempo.

O Itaú Unibanco elevou as projeções de preços do café de 150 cents para 170 cents por libra-peso ao fim de 2017, “reconhecendo que os preços mais altos são consistentes com um balanço apertado no ano que vem”. Segundo o banco, em relatório mensal, o café acumula alta de cerca de 28% desde o início do ano, por causa da menor oferta. “A queda da oferta foi causada tanto por choques climáticos quanto por redução de investimento com margens de lucro desfavoráveis”, diz o banco.

Os futuros de arábica em Nova York fecharam em leve queda ontem. Março/17 caiu 90 pontos, a 156,40 cents.

A consultoria Pharos, gestora de risco em commodities, informa que, com o dólar estável na casa de R$ 3,40, a remuneração ao produtor nesta boa safra é bastante satisfatória. Exportadores tentam comprar cafés a diferenciais mais largos, mas o efeito de manada desses participantes procurando café no mercado físico mantém os diferenciais relativamente firmes.

Já os preços físicos do conilon (robusta) está firme, sem grande volatilidade. “A indústria nacional é a melhor compradora, e praticamente a única, mantendo as compras com o arábica de baixa qualidade como balizador”, diz a Pharos.

Fonte: Agência Estado via Café da Terra

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