CAFÉ: MERCADO DE GENTE GRANDE, MAS QUE FAVORECE VENDAS

A maioria das principais bolsas de ações no mundo teve uma semana de consolidação com dados econômicos mistos, sendo que nos Estados Unidos os indicadores têm vindo mais fracos em função do inverno rigoroso – que por sinal trará mais uma nevasca nesta última semana de fevereiro.

Os índices de commodities tiveram altas entre 2.33% e 2.84% nos últimos cinco dias, com todos os produtos que compõe a cesta do CRB subindo, exceto apenas o cacau e o algodão que cederam 0.17% e 0.53% respectivamente.

O café em Nova Iorque foi mais uma vez o destaque com a vertiginosa alta de 20.48%, ou US$ 37.90 a saca em quatro sessões (segunda-feira foi feriado), seguido pelos +17.66% do gás natural, +14.82% dos futuros de suíno, e +6.82% do açúcar.

O robusta em Londres não acompanhou o movimento subindo “apenas” US$ 10.26 a saca e fazendo com que a arbitragem alargasse para US$ 80.82 centavos por libra peso – nível que não víamos desde outubro de 2012.

O volume de chuva menor do que estimado no Brasil foi o principal motivo da volatilidade do terminal, que apenas na terça e quarta teve um rallye de US$ 31.85 centavos por libra, ou US$ 42.13 a saca de 60 quilos.

Diante deste cenário a ICE fez como manda a regra, e aumentou a margem inicial mais uma vez, estando agora mais de 3 vezes superior à duas semanas atrás. Se quem estava vendido vinha sofrendo com envio de margens de variação diárias, a conta ficou pior com o incremento da margem de garantia (como se chama na BM&F). Aqueles que exauriram seu dinheiro em caixa foram forçados a levantar seus hedges.

Os participantes que se viraram para levantar recursos e manter suas posições no mercado futuro estão lutando para tomarem mais linhas e aproveitar o barateamento dos diferenciais, que certamente estreitarão tão logo os ânimos arrefeçam.

O resultado em geral da situação é um menor volume de vendas na bolsa, e especuladores que agora comprados vêem margens em excesso em suas contas permitindo que incrementem suas posições compradas – mercado de gente grande e que esmaga os pequenos participantes.

No Vietnã os produtores que tinham feito vendas consignadas não conseguem conter a felicidade, ainda que não estejam sendo tão agressivos em fixar seus contratos. Está certo que a arbitragem aberta favorece o uso do robusta, se é que é possível alguém aumentar a participação destes nos blends, mas seria prudente fixar o quanto podem e continuar vendendo em escala de alta seus cafés.

Os torradores se assustam com o movimento, e se antes o flat-price adicionado aos “caros” diferenciais faziam com que suas compras ficassem abaixo de US$ 100 centavos por libra (para os naturais), agora o enfraquecimento do basis faz a conta ficar pelo menos 40% mais alta – não dá para ganhar de todos os lados. Culpa do clima, claro, mas também de políticas mais restritivas de hedge que fazem seus livros ficarem magros e aquém do desejado em nível de performance.

O que todo mundo quer saber é quão mais o mercado pode subir, pergunta importante em vários aspectos e de difícil resposta em um mercado climático. De forma mais pragmática podemos dizer que colocar uma posição vendida (descoberta) é perigoso neste momento, mas vender seus cafés para diminuir dívidas e cuidar da lavoura parece uma decisão acertada.

Outro “play” interessante é comprar proteções de baixas (puts = opções de venda) financiando com vendas de calls (opções de compra), já que a volatilidade implícita explodiu.

Tecnicamente o movimento de alta pode continuar, mas devemos ficar preparados para dias de fortes baixas também.

Uma boa semana e muito bons negócios a todos.

* Rodrigo Corrêa da Costa, que escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

Fonte: Archer Consulting via Rede Social do Café

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