CAFÉ: MEDO DO SUCESSO

O mercado de Café mostra o resultado de sua administração desastrosa por parte de seus participantes. Com a economia mundial acelerada e com uma população com fome em consumir o café não ficou atrás disso. O produtor com preços manipulados do um mercado de quem pode mais chora menos, fez uma espécie de escravatura branca e o produtor do seu lado louco por sua alforria se viu em louca corrida atrás de produtividade, o que parecia ser o mais certo a fazer depois de tantas chibatadas do mercado.

A insensibilidade do outro lado do mercado se esqueceu que sem a galinha não se pode botar o ovo de ouro, realmente não a mataram, mas diminuíram muito a sua ração deixando a classe produtora em baixo do balaio à espera de salvação. A salvação chegou na forma de uma mudança climática coisa que nem o próprio produtor pode mudar, e um aumento de consumo além das expectativas. Este cenário se transformou em um imbróglio mental onde os produtores que não estão conseguindo manter suas propriedades agora que o vento virou a seu favor não sabe içar a vela pra aproveitar o vento.

Em uma conversa com um amigo e seguidor de meus artigos, ele me disse que queria saber o dia em que mercado daria seu topo, para que ele pudesse vender alguns contratos na BMF. A princípio fiquei revoltado com esta conduta, pois há meses escrevo que estamos em tendência de altas, e mostrei a ele que esta tendência começou em 2002, quando a bolsa de Nova Iorque tinha feito o seu fundo e estava em busca de um novo topo de mercado, portanto a tendência tem oito longos anos, e que estamos nela, e não teria começado em junho deste ano como alguns acreditam. Simplesmente olhem o gráfico do café contínuo e mensal, que verão uma bela e linda linha de tendência de alta, o que mostra que, apesar dos preços não estarem sendo satisfatórios, o mercado vem subindo sistematicamente.

Então por que o medo do sucesso? Por que não ser vitorioso e ser recompensado pelo nosso trabalho? Uma semana após esta conversa com este seguidor, ele me liga querendo saber o que eu achava do mercado, me dizendo que teria cometido o mesmo erro de junho, quando entrou vendido, vendeu novamente contra esta tendência, com uma diferença: desta vez ele sabia que poderia subir o mercado.

Parece que às vezes não tomamos decisões como pessoas adultas e estamos querendo não ver o óbvio, ou estamos querendo passar por vítimas. Existem estudos psicológicos sobre isso, quando queremos apanhar ao em vez do bem estar. Nosso trabalho para fazer um café de qualidade, as responsabilidades que os poluidores do mundo nos colocam para proteger a natureza e o governo com leis trabalhista, têm que ser recompensados financeiramente. Temos o direito de viajar, ter carros modernos, nós somos jecas, mas com certeza somos jóias e raras.
A recompensa tem que vir através da mola do mundo, em dinheiro e não em prêmios para ficar empoeirando na prateleira, como as grandes empresas gostam de fazer um jantar com pompas e um Oscar para o produtor e depois o manda para casa com ilusões para próxima safra.

Em outra conversa com um cliente e amigo nesta semana, ele me disse que teve uma bela oferta para vender café descascado a R$ 500 para próxima safra, e que a proposta estava tentadora. Ele queria vender, pois este preço há bem pouco tempo era sonho, e que uma grande empresa compraria todo o café deste tipo que encontrasse a venda no mercado. Por que será? A próxima safra, que é de ciclo baixo para a produção brasileira, com certeza trará preços que realmente parecem sonho, e a continuidade das chuvas nos países centrais reforçam esta teoria, portanto quanto menos munição der para o inimigo maior será a vitória.

O cenário macro econômico, apesar da grande crise por que está passando as grandes potências econômicas, não tem data marcada para acabar. O consumo aumentando é uma tendência que não tem hora para acabar, por que vender agora então? SIMPLES: O MEDO SUCESSO. A boa administração desta fase vai levá-la por um grande período de bonança lucros e bem estar, a má administração vai elevar a produção da forma que os manipuladores estão querendo e a fase será rápida, não duradoura e frustrante.

Às vezes penso que é isso que os produtores querem – se sentirem coitados do mercado. A cobrança do governo por parte dos sindicatos tem que ser mais incisiva, uma organização da cadeia produtiva com diretórios, com números palpáveis de produção, de consumo, ou seja, uma política fora das porteiras de nossas propriedades e não ficar se lamentando.

Cuidar da produtividade e do meio ambiente são deveres de casa, mas a política também é nosso futuro. O MERCADO TEM QUE PAGAR PELOS NOSSOS DEVERES, MANTER A NATUREZA ENQUANTO OS CONSUMIDORES POLUEM. Graficamente o mercado tem ainda muito para subir e para o próximo vencimento, que será em março, prevejo novos topos nas bolsas, vamos aguardar para ver onde vai dar. Continuamos comprados a R$ 198, posiçao tomada pelo gráfico de 60 minutos, onde fez fundo duplo e nos deu a oportunidade de entrar com stop curto. Procuro oportunidade para desfazer da posição e uma boa oportunidade para entrar comprado para o próximo vencimento março de 2011.

* Wagner Pimentel

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