CAFÉ É DESTAQUE DE ALTA EM SEMANA TURBULENTA

A economia chinesa no primeiro trimestre de 2013 cresceu a uma taxa anual de 7.7%, primeira vez em mais de duas décadas que o índice vem abaixo de 8%.

O dado serviu para investidores se desfazerem de posições em commodities, que eventualmente pode ter também sido influenciado por chamada de margens no mercado de ouro que acumulou as maiores perdas desde 1980. Para registrar, a prata na segunda-feira caiu 13% em um dado momento!!

Explosões de bombas em Boston, triste evento que dominou o noticiário, gerou desconforto nos investidores que correram para títulos americanos com medo de que uma onde de atentados se inicie.

Focando no cenário macro, o FMI reduziu mais uma vez sua expectativa de crescimento da economia global, mantendo o prognóstico do quadro recessivo para a zona do Euro.

Em suma os principais índices de ações cederam em média 2%, próximo dos mesmos patamares de perda dos índices de commodities. A queda constante das matérias-primas tem levado alguns a apontar para um quadro deflacionário, mesmo com tanto dinheiro sendo injetado pelos bancos centrais.

Alheio a onda negativa, o café teve uma semana de ganhos fortes em Nova Iorque com a valorização da saca em US$ 8.00, e o spread estreitando fortemente em função do posicionamento dos fundos. Londres manteve-se firme também, resiliência que ajuda o quadro técnico e os produtores que dosam suas vendas.

Com a alta da bolsa a partir de quinta-feira o mercado físico negociou mais volume e lotes maiores no Brasil. Nem mesmo o real mais fraco, ou melhor, o dólar mais forte frente a diversas moedas, impediu os ganhos. A cobertura parcial da enorme posição vendida dos fundos encontrou bom volume de venda de origens no mercado futuro, o que deve continuar aparecendo caso os preços subam mais.

Estimativas de empesas brasileiras apontam que já foi comercializada 75% da safra atual, ao mesmo tempo em que no Vietnã acredita-se que os produtores estão segurando 10 milhões de sacas em estoque. Na India também há uma “retenção” por parte de exportadores e produtores, segundo uma respeitada trade-company.

Os diferenciais não mexeram muito, talvez pelo mercado não ter mudado tanto o intervalo de preços.

Os fundos ainda tem munição suficiente para provocar mais altas, até porque eles estavam com o equivalente a quase 20 milhões de sacas vendidos, posição que ainda é ganhadora e que na dúvida faz com que alguns decidam colocar algum dinheiro no bolso.

Continua-se a falar sobre o aumento do preço mínimo no Brasil, que seria um primeiro passo para um programa de opções que retirando café do mercado podem sim provocar um rally mais expressivo dos terminais.

O movimento técnico aponta como próximo objetivo o nível de US$ 147.20 centavos por libra, enquanto os baixistas torcem para que um novo fechamento abaixo de 140 centavos faça os altistas pararem de comprar.

Uma ótima semana e muito bons negócios a todos.

Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

Fonte: Archer Consulting

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