Café da Colômbia se renova para ser mais produtivo

Imprimir

Nas montanhas da cordilheira ocidental da Colômbia, a 1.300 metros de altitude, germinam milhões de sementes de um programa que procura renovar os cafezais do país com uma variedade mais produtiva e resistente ao fungo da ferrugem do café.

A cada dia, mais de uma dezena de camponeses que trabalham neste viveiro ao ar livre cuida do "germinador" de onde brotam dos grãos uma fibra de cor laranja que depois se transformará no talo, preparam a terra da almácega (pequeno tanque destinado a receber a água da chuva) e, quando os arbustos se firmam, os acomodam para o transporte até as pequenas propriedades rurais onde serão transplantados.

Cerca de cinco mil camponeses do sudoeste do país já renovaram suas plantações graças a este programa de desenvolvimento rural da iniciativa privada que substitui gradualmente as plantas das variedades Caturra, Bourbon e Típica, as mais cultivadas na Colômbia, mas também mais suscetíveis a contrair a ferrugem do café, fungo que devastou os cafezais da América Central.

As plantas deste viveiro financiado pela multinacional Nestlé em Trujillo, cidade agrícola do departamento de Valle del Cauca, com uma temperatura média de 19 graus centígrados e com as condições ideais de radiação solar, são da variedade Castillo, desenvolvida na Colômbia pelo Centro Nacional de Pesquisas de Café (Cenicafé) a partir de tipos de Híbrido do Timor e Caturra.

A renovação de cafezais começou em 2010 na Andalucía, Bugalagrande, Sevilla e Tuluá, municípios de Valle del Cauca, aos quais se juntaram no ano passado os de Caicedonia, Roldanillo e Bolívar como parte do Plano Nescafé, iniciativa da Nestlé com o apoio da Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia (FNC).

A companhia distribuiu gratuitamente a cinco mil cafeicultores mais de 15,5 milhões de mudas de café Castillo com as quais renovaram 2.724 hectares, enquanto a Federação de Cafeicultores se encarregou de dar capacitação técnica aos camponeses.

"Com a renovação vamos curando. Antes, tive cafezais de Caturra e Bourbon, mas deu ferrugem do café. O cafezinho novo é exigente, é como um bebê que é muito dependente no primeiro ano, mas uma vez que comece a crescer só tem vantagens", disse à Agência Efe Carlos Eduardo Gómez, um camponês de Roldanillo, durante uma visita ao viveiro.

"Com isto, tentamos proteger o campo colombiano da ferrugem do café que acabou com os cafezais na América Central e que os camponeses obtenham mais rendimento por hectare cultivado", declarou o presidente da Nestlé para a Colômbia e Equador, Manuel Andrés.

Os camponeses vendem o café em cooperativas nas quais, depois, a companhia adquire para processá-lo na fábrica que tem em Bugalagrande, um município industrial da região.

A Nestlé é o maior comprador de café da Colômbia, com 1,3 milhões de sacas de 60 quilos por ano. Isso equivale a 13% da produção nacional, matéria-prima com a qual abastece a maior parte de suas fábricas no mundo.

No início deste ano, o Plano Nescafé ampliou seu raio de ação a Balboa, La Celia, Santuario e Belén de Umbría, municípios de Risaralda, departamento situado no coração da região cafeeira do país, onde serão beneficiados 5.685 cafeicultores.

"Neste ano vamos entregar 8,5 milhões de mudas aos produtores de Valle e de Risaralda, um investimento de US$1,5 milhão", explicou o gerente de Sustentabilidade da Nestlé, Ricardo Piedrahíta.

O Plano Nescafé é uma iniciativa da multinacional suíça em nível mundial para fomentar a produção de grãos de alta qualidade como forma de agregar valor a esta matéria-prima em sua origem.

O programa, que prevê investimentos de US$350 milhões em nível mundial no período 2010-2020, foi lançado no México há quatro anos e, além da Colômbia, foi implantado na Costa do Marfim, Filipinas, Tailândia e China.

A intenção é de que também seja introduzido no Brasil, Equador e em países da América Central, segundo informou a companhia.

Fonte: Agência EFE

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *