Café arábica foi um dos maiores perdedores no setor de commodities em 2015

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Os preços do café arábica caíram 24% em 2015, uma das maiores perdas no setor de commodities. As chuvas que chegaram nos últimos meses no Brasil foram muito necessárias e ajudaram a impulsionar o desenvolvimento das lavouras da cultura, outro importante fator para a queda no mercado foram as fracas moedas nos principais países produtores que acabaram estimulando recordes nas exportações.

As perdas no ano passado retiraram parcialmente a meteórica alta de 50% do café em 2014, quando a commodity teve o melhor desempenho no Índice de Mercadorias Thomson Reuters, com a pior seca em décadas, prejudicando a produção.

A moeda brasileira caiu até 50% este ano, chegando a um recorde de baixa em relação ao dólar em setembro, com a economia sul-americana sofrendo uma recessão durante a agitação política e a queda nos preços de commodities industriais principais do Brasil, tais como minério de ferro e o petróleo bruto.

"Foi tudo influenciado pelo câmbio neste ano", disse Shawn Hackett, presidente da Hackett Financial Advisors, na Flórida, observando que as exportações e a elevada disponibilidade do grão dificulta qualquer sentimento otimista relacionado com a redução nos estoques mundiais. "Apesar do fato da desestocagem, não houve escassez de oferta".

As exportações de bens, incentivados pela moeda local dos produtores, ajudaram o café, que é comercializado internacionalmente em dólar. Apesar da queda de 26% em dólar, os preços subiram mais de 10% em reais.

Com isso, as exportações do Brasil aumentaram e poderam quebrar o recorde de 36,3 milhões de sacas embarcadas em 2014, disse a associação brasileira dos exportadores.

As condições climáticas também melhoraram um pouco, embora o tempo seco ainda tem atormentado as regiões de robusta no Brasil. Muitas estimativas têm colocado a safra 2015/16 do Brasil igual ou inferior à colheita em 2014/15.

Previsões para a próxima safra (2016/17) sugerem maior produção, o que pode manter a pressão sobre os preços. Ainda assim, as apostas pessimistas dos especuladores e um grande levantamento dos estoques no Brasil podem deixar o mercado vulnerável a um rali de curto prazo e com coberturas de posições no início de 2016, disseram vários comerciantes e analistas.

Além disso, os produtores escaparam da inflação nos custos de insumos, como fertilizantes, e de trabalho este ano, travando os preços antes da desvalorização do real. Em 2016, esses custos vão aumentar em reais, reduzindo as margens e, potencialmente, levando os produtores a pedir preços mais altos, disse Hackett.

Fonte: Business Recorder via Notícias Agrícolas (traduzido por Jhonatas Simião) 

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