Brasil quer preservar suas florestas, mas mundo tem que pagar a conta

Imprimir
Blairo Maggi, ministro da Agricultura, durante apresentação na COP 22, em Marrakesh (Foto: Divulgação)
Blairo Maggi, ministro da Agricultura, durante apresentação na COP 22, em Marrakesh (Foto: Divulgação)

Nos encontros da COP 22, a 22ª Conferência Quadro das Partes sobre Mudanças Climáticas, que acontece esta semana em Marrakesh (Marrocos) o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, tem passado um recado muito claro: o Brasil apresentou uma proposta audaciosa no Acordo de Paris e está disposto a cumpri-la, mas o mundo precisa compreender o alto custo dessa conta e ajudar a pagá-la.

Entre os compromissos assumidos na conferência do clima de Paris, para reduzir as emissões de gases efeito estufa, o Brasil se dispôs a eliminar o desmatamento ilegal e reflorestar 12 milhões de hectares.

“Mesmo tendo 61% do seu território preservado, os produtores brasileiros têm que arcar com um custo que seus colegas americanos e europeus não têm. O mundo tem que compreender isso e compensar esse custo. Uma das opções é o mercado internacional dar preferência aos produtos agrícolas brasileiros”, disse o ministro. “Não dá para imputar ao produtor brasileiro mais custos com a recuperação de áreas e reflorestamento sem que haja uma contrapartida financeira ou de preferência de mercado. Desculpem, nós não vamos conseguir avançar porque as contas não fecham”, acrescentou.

Segundo ele, é possível manter as reservas legais em propriedades agrícolas que estão em regiões afastadas dos grandes centros de produção. “O custo nesses casos é barato. Mas quando você está no meio de uma zona de alta produção agrícola, onde tem energia elétrica, silos, estradas e toda infraestrutura, e tem que deixar 80%, 50%, 35% ou mesmo 20% sem utilização, o custo disto é gigantesco para o produtor e para o país”, destacou Maggi.

Ele citou o caso de uma propriedade em Querência (MT) que pertence ao seu próprio grupo (Amaggi). São 80 mil hectares, dos quais 40.000 hectares estão fechados e 40.000 em produção, desmatados antes de 1988.

“A parte que está produzindo vale US$ 5.000 por hectare. A que está fechada não vale nada. São 200 milhões de dólares de patrimônio fechados, sem a mínima chance de produzir nada. Multiplica isto pela quantidade que o Brasil tem, onde cerca de 40% das propriedades têm suas reservas. É um custo gigantesco”, afirmou o ministro.

Ele citou também como exemplo o caso de um hotel com 100 apartamentos. “Imagina que vem uma lei que manda o proprietário manter os 100 apartamentos mas só comercializar 20 apartamentos. Quanto custa isto para o dono? Faturar sobre 20 e ter despesas sobre 200. É uma coisa de louco!”

Para Maggi, o Brasil tem regras ambientais rigorosas. Pelo Código Florestal, o produtor é obrigado a manter como reserva legal na Amazônia Legal 80% de sua propriedade em áreas de florestas, 35% em fazendas situadas no Cerrado e 20% em áreas de campos gerais. Nas demais regiões do país, a área de preservação é de 20%.

Fonte: Redação Globo Rural (Por Bruno Blecher)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *