Brasil, maior produtor de café mundial, ainda procura caminho para exportação

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Sonho do setor cafeeiro do Brasil: ver cada chinês tomar uma xícara de café por dia.
Tradicionais consumidores de chá, os chineses elevariam o consumo global de café de 135 milhões para 200 milhões de sacas ao ano se isso ocorresse. O Brasil, maior produtor mundial de café, colheria os frutos.

Esse cenário não parece impossível, mas está longe. Impossível mesmo seria imaginar a China exportando café torrado e moído para o Brasil. É o que passou a ocorrer no semestre passado. A quantidade ainda é pequena, e os chineses estão experimentando o mercado.
Se eles decidirem importar café em grão para exportar o produto torrado e moído, como fazem com outras matérias-primas, a luta brasileira para conseguir espaço no mercado externo da bebida se tornará ainda mais difícil.

Afinal, o Brasil ainda não encontrou o caminho externo da industrialização do café. Apesar de liderar a produção, as exportações de café torrado e moído, de maior valor agregado, recuam.
Após bater US$ 36 milhões em 2008, as receitas vêm caindo e, em 2010, ficaram próximas de US$ 20 milhões.

Enquanto enfrenta dificuldades para exportar, o país abre as portas para as importações. Se, há quatro anos, eram de US$ 1,3 milhão, em 2010 vão a US$ 21 milhões, acima das exportações. Apesar de as principais indústrias brasileiras estarem nas mãos de multinacionais, as exportações de café industrializado não deslancham.

NESPRESSO

O país que mais vende ao Brasil é a Suíça, terra do Nespresso. A seguir vem o Reino Unido, do Dolce Gusto. Ambos são da Nestlé, que importa parte dos grãos do Brasil e os industrializa na Europa.

A Suíça exportou 204 toneladas de café para o Brasil de janeiro a novembro (US$ 15,9 milhões), segundo o Ministério do Desenvolvimento. O volume atual de café importado supera em 1.209% o de há três anos, enquanto o gasto brasileiro nas compras da Suíça subiu 6.343%.

As importações do Reino Unido, praticamente inexistentes em 2008, subiram para US$ 1,6 milhão no acumulado até novembro em 2010. A Itália, terra de marcas como Lavazza e Illycaffè, perde espaço. As importações de 2010 somam US$ 1,4 milhão, mas estavam em US$ 1,6 milhão há dois anos.

Os EUA, terra da Starbucks, também ganham espaço: colocaram 36 toneladas de café torrado e moído no Brasil até novembro de 2010, 129% mais do que em igual período de 2007.
Até de Portugal as importações crescem: somam 17 toneladas de janeiro a novembro, ante 11 toneladas em igual período de 2009.

LÍBANO E CHINA

Líbano e China se juntam à lista de vendedores de café torrado para o Brasil. A quantidade é pequena: 560 e 332 quilos, respectivamente, nos 11 primeiros meses de 2010. Os chineses têm um dos cafés mais caros entre os que entraram no país: US$ 40 por quilo (R$ 68).

O produto chinês só perde para o suíço, cujo valor médio foi de US$ 78 por quilo (R$ 133). O café vindo do Reino Unido ficou em US$ 18 por quilo, um pouco acima do italiano: US$ 15,10.
O café vindo dos EUA, cujas importações foram feitas inclusive por empresas brasileiras que montaram fábricas em solo norte-americano, custa, em média, US$ 8 por quilo, abaixo dos US$ 9 do produto vindo de Portugal.

Fonte: Folha de São Paulo

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