Brasil deseja prorrogação de Acordo da OIC, mas tendência é renovação, diz fonte

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Jose SetteA dois anos da necessidade de renovação do Acordo Internacional do Café (AIC), que coloca em xeque até a existência da Organização Internacional do Café (OIC), o Brasil deseja a extensão das normas atuais, renovadas em 2007, como informou uma fonte ao Broadcast. Há, no entanto, um movimento que vem se fortalecendo na direção de uma renovação da entidade que tem sede em Londres e que é comandada pelo brasileiro José Sette (Foto: Divulgação OIC). Coincidentemente, seu mandato como diretor-executivo da instituição também expira em dois anos. “A tendência majoritária é de um novo acordo”, previu.

Como ilustrou a fonte, a OIC é como um produto de mercado, que tem “prazo de validade”. Por mais que o setor esteja em crise atualmente, por conta de uma forte depreciação dos preços internacionais da commodity, tudo indica que a Organização continuará como uma referência para produtores e, cada vez mais, também importadores. A própria eleição de Sette, em março de 2017, foi bastante atípica por causa da pressão não vista antes pelos membros compradores da instituição. Naquela ocasião, eles chegaram a apresentar, de forma inédita, um candidato para o cargo, mas o Brasil, que é o maior exportador e produtor de café do mundo continuou à frente da Organização.

Essa tendência de maior aproximação da entidade com os importadores é vista claramente hoje, quando a OIC organiza na capital britânica o 1º Forum de CEOs e Líderes Globais para discutir uma saída para a desvalorização internacional da commodity nos últimos anos. “O fantasma do preço baixo surge ao mesmo tempo que a organização está se renovando”, considerou a fonte.

Como é hoje o acordo
O atual Acordo, em vigor desde 2007 e que expira em 30 de setembro de 2021, dá os parâmetros para o funcionamento da OIC. Ele determina desde como realizadas as reuniões, seus participantes, quais membros podem votar sobre quais questões e com que peso e quais são as diretrizes da organização. Atualmente, a entidade tem papel representativo mais forte do lado dos produtores e, ao que tudo indica, a pressão dos compradores tende a aumentar. Essas discussões estarão em pauta de todos os encontros da entidade nos próximos dois anos.

É possível que uma mudança a ser vista agora no perfil da entidade seja tão importante quanto a que ocorreu em 1989. Naquela ocasião, a OIC determinava cotas de exportações levando em consideração os países exportadores com clara intenção de regular a oferta mundial. Hoje, o tema de regulação de mercado passa longe da entidade, com a ausência de cláusulas econômicas.

O Brasil, que tem o maior peso de voto do lados dos exportadores, já defendia a manutenção do acordo durante as discussões de 2007. Na ocasião, a entidade era administrada pelo colombiano Nestor Osório. Um dos pontos que mais vão contra ao modelo atual é o fato de a União Europeia (UE) votar em bloco, o que acaba dando a esse conjunto de países um poder de decisão muito acima dos demais. A UE é quem tem o maior peso de votos do lado dos compradores.

Fonte: Agência Estado (Por Célia Froufe) via CNC

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