Bovespa abriu semana com leve alta e dólar foi a R$ 1,68

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A segunda-feira foi de instabilidade na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), nova elevação no preço do dólar e queda nos prêmios de risco nos contratos de juros futuros. No campo externo, no entanto, segue firme o bom humor que mantém as bolsas americanas em máximas não observadas desde meados de 2008.

De volta à Bolsa, o Ibovespa oscilou quase mil pontos entre máxima e mínima antes de fechar com leve alta de 0,14%, aos 65.362 pontos. O giro somou R$ 5,56 bilhões.

"A semana como um todo não será muito forte de notícias. Nos Estados Unidos, as bolsas reagiram a dados corporativos e à continuação da saída de fluxo dos mercados emergentes para os países avançados", pontuou o gestor de renda variável da Máxima Asset Management, Felipe Casotti.

Ainda que a Bovespa já mostre queda de 5,7% em 2011, Casotti assinala que o investidor deverá ter um melhor momento para voltar a comprar, já que as bolsas americanas estão muito "esticadas" e logo devem passar por uma correção.

"Quando Wall Street tiver uma realização, a Bovespa deve acompanhar, então o momento é de cautela. O cenário no curto prazo não é positivo", ressaltou.

No EUA, o único indicador saiu no fim do dia. O crédito ao consumidor apresentou crescimento pelo terceiro mês consecutivo em dezembro. Segundo o Federal Reserve (Fed), banco central americano, o crédito avançou US$ 6 bilhões ante o mesmo mês de 2010, para US$ 2,4 trilhões, nos dados com ajuste sazonal. Resultado acima do previsto e puxado pelo uso do cartão de crédito. Tal modalidade não apresentava crescimento desde agosto de 2008.
Em Wall Street, negócios corporativos e a redução das tensões no Egito ajudaram a garantir o sexto pregão seguido de alta para o Dow Jones, que avançou 0,57%, para 12.161 pontos. Maior pontuação em 29 meses. O S&P 500 teve acréscimo de 0,62%, para 1.319 pontos. Já o Nasdaq se valorizou 0,53%, a 2.783 pontos.

Passando para o câmbio, pelo quarto dia seguido as ordens de compra foram maioria. Nesse período, o preço da moeda já subiu 0,96%. Na segunda-feira, o dólar comercial ganhou 0,23% e fechou a R$ 1,680 na venda. O giro estimado para o interbancário totalizou US$ 1,4 bilhão.

Na roda de pronto da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) o dólar pronto avançou 0,23%, para R$ 1,6788. O volume caiu de US$ 319,25 milhões para US$ 244,75 milhões.
Segundo o superintendente de tesouraria do Banco Banif, Rodrigo Trotta, a tendência de médio prazo do dólar ainda seria de queda e o mercado seria claramente vendedor não fosse um Banco Central (BC) claramente agressivo, que tem atuado fervorosamente e diariamente para defender a cotação do dólar.
"Isso tem que ser levado em consideração. Por mais que a tendência seja de apreciação do real, é muito difícil de brigar contra a autoridade monetária", disse.
Ontem, o BC efetuou o leilão de compra a termo anunciado na sexta. O montante movimentado nas operações não foi divulgado. A operação com vencimento em 16 de fevereiro teve corte de R$ 1,6796. O leilão para 23 de fevereiro teve taxa de R$ 1,6834. E o vencimento para 09 de março ficou em R$ 1,6889. O BC também realizou duas compras no mercado à vista.

Ainda de acordo com Trotta, uma novidade no cenário é que o Banco Central ganhou um aliado no câmbio. A percepção de firme melhora da atividade nos Estados Unidos resulta em aumento nos juros americanos e consequente aumento na demanda por dólar em âmbito global.

Dentro desse contexto, diz Trotta, conforme o BC ganhar mais aliados contra o dólar baixo, cresce a chance de alguma mudança de tendência para a moeda no mercado local.
Nos juros, depois de um firme movimento de alta no fim da semana passada, os contratos futuros começaram a semana ajustando para baixo na BM&F.

Dando respaldo à movimentação, o boletim Focus mostrou redução em algumas projeções de inflação, a Fundação Getulio Vargas (FGV) indicou menor confiança no setor de serviços e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostrou forte redução na venda de automóveis.
A sondagem do BC com agentes de mercado mostrou leve piora no prognóstico para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2011, com a mediana subindo de 5,64% para 5,66%. No entanto, a previsão para 2012 cedeu de 4,70% para 4,61%. O IPCA projetado em 12 meses também perdeu fôlego, indo de 5,53% para 5,48%.

As projeções para juros e crescimento permaneceram em 12,50% e 4,60%, respectivamente. Sempre considerando o fim do ano.

Pelo lado da atividade, FGV e Anfavea mostram sinais de acomodação. O Índice de Confiança de Serviços (ICS) caiu 3% em janeiro contra dezembro. Essa foi a maior retração desde janeiro de 2009, quando o indicador cedeu 4,2%.

Já a Anfavea mostrou que as vendas de veículos novos recuaram 35,8% no primeiro mês do ano ante o volume de dezembro do ano passado. Na comparação com o mesmo período de 2010, no entanto, houve um incremento de 14,8% nas vendas.

Apesar do ajuste de baixa observado no dia, a curva segue bastante premiada, mostrando um mercado ainda cético com a convergência da inflação ao centro da meta de 4,5%.

O sócio da Platina Investimentos, Marco Franklin, identifica três fatores que impedem uma redução mais firme nos prêmios de risco.
O primeiro deles é a própria inflação, que não dá trégua nos últimos quatro meses e acabou contaminando as expectativas. Vale lembrar que amanhã será apresentado o IPCA de janeiro e as expectativas sugerem variação ao redor de 0,80%.

O segundo fator é o ceticismo do mercado com relação à eficácia das medidas macroprudenciais anunciadas no fim do ano passado pelo BC. "Particularmente discordo disso. As medidas vão reduzir o aquecimento econômico", pondera o especialista.

O terceiro e último ponto está relacionado à falta de confiança na capacidade de o governo entregar o ajuste fiscal. Franklin acredita que o governo vai fazer o necessário para atingir a meta de 3,1% de superávit primário, mas avalia que a demora em fazer o anúncio dos cortes de gastos necessários ao cumprimento da meta, mina a confiança dos agentes.

"Não estou cético como o mercado. As medidas macroprudenciais mais a alta da Selic vão enfriar a economia. É uma questão de tempo. Fora isso, se precisar de mais, mais será dado. Tanto via Selic quanto via medidas administrativas", resume o especialista.

Ainda de acordo com Franklin, não só no Brasil, mas em outros lugares do mundo, há uma mudança no modo de se fazer política monetária. Antes, todo o ajuste ficaria a cargo dos juros. Agora são tomadas medidas administrativas, como restrições ao crédito e maior compulsório. "Essa é a mudança."
No entanto, diz o especialista, como o mercado ainda não consegue medir os impactos das medidas não tradicionais, cria-se esse prêmio de risco adicional no mercado futuro.

Antes do ajuste final de posições na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em março apontava estabilidade a 11,14%. Abril subia 0,01 pontos, 11,42%. Julho de 2011 recuava 0,01 ponto, a 11,90%. E janeiro de 2012, o mais líquido do dia, apontava 12,36%, queda de 0,04 ponto.

Ente os mais longos, janeiro de 2013 recuava 0,05 ponto, a 12,85%. Janeiro de 2014 devolvia 0,01 ponto, a 12,89%. Destoando, janeiro de 2015 avançava 0,02 ponto, a 12,91%. Mas janeiro de 2016 cedia 0,03 ponto, a 12,80%.

Até as 16h10, foram negociados 441.275 contratos, equivalentes a R$ 37,43 bilhões (US$ 22,36 bilhões), baixa de 35% sobre o registrado no pregão anterior. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 125.755 contratos, equivalentes a R$ 11,32 bilhões (US$ 6,76 bilhões).

Fonte: Uol

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