BM&F Bovespa priorizará pessoa física ao reduzir tarifas

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Os investidores individuais devem ser alvos prioritários de um processo de revisão de tarifas que está sendo desenvolvido pela BM&F Bovespa, disse Edemir Pinto, presidente da bolsa.

As mudanças – ainda em fase de estudo – prometem ser definidas até o final deste ano, disse o executivo, ao apresentar os resultados da empresa no segundo trimestre.

"Vamos dar um tratamento especial às pessoas físicas, trabalhando nas taxas de negociação e custódia", afirmou.

A decisão está alinhada com os planos de trazer para o mercado 5 milhões de investidores até 2014, além de ir ao encontro da tentativa de eliminar subsídios cruzados, remanescentes da fase pré-abertura de capital da bolsa.

A BM&F Bovespa já realizou uma revisão tarifária para os investidores em geral, iniciada no ano passado e concluída em janeiro deste ano.

Também há outras iniciativas em curso, como a concessão de descontos para os investidores de alta frequência, antecipada pelo Brasil Econômico em abril e oficialmente anunciada na semana passada.

Os abatimentos, para os investidores que realizam milhares de ordens eletronicamente por minuto, serão aplicados em duas etapas – uma a partir de novembro e outra em janeiro do próximo ano.

No caso das pessoas físicas, a avaliação das corretoras é de que as taxas de custódia, em especial, são impeditivas ao crescimento do segmento. Pelo serviço, os investidores desembolsam R$ 6,90 por mês, mais uma taxa variável para carteiras maiores que R$ 300 mil.

O custo fixo sobre uma carteira de R$ 1 mil, por exemplo, significa uma taxa mensal de 6,90%.

Balanço

As taxas de negociação e liquidação provenientes das operações nos segmentos BM&F e Bovespa representaram 85% das receitas operacionais líquidas da bolsa no segundo trimestre, que cresceram 25,2% na comparação anual, atingindo R$ 473,6 milhões.

As despesas operacionais cresceram menos, a uma taxa de 13,4% em relação ao ano passado, atingindo R$ 145,4 milhões.

O resultado foi um lucro líquido ajustado de R$ 424,4 milhões, 30,4% maior que o do mesmo período de 2009.

Boa notícia, na avaliação dos analistas do Barclays Capital, Henrique Caldeira e Roberto Attuch, principalmente em um momento em que os mercados de ações estiveram fracos, o fluxo de estrangeiros foi negativo e os gastos aumentaram para fazer frente a iniciativas futuras.

"No entanto, a atual perspectiva continua a mostrar um sentimento de incerteza, apontando para uma falta global de volumes em ações", destacam em relatório.

Para os próximos trimestres, os executivos da bolsa estão confiantes no crescimento dos volumes do segmento Bovespa com os investidores de alta frequência, após a aprovação, pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de três novas modalidades de Acesso Direto ao Mercado (DMA), há duas semanas.

"Foi um passo importante para a bolsa", afirmou o diretor de relações com investidores, Eduardo Refinetti Guardia.

Com um caixa disponível de R$ 1,9 bilhão ao fim do trimestre passado, a bolsa decidiu dar início a um programa de recompra de 31 milhões das suas próprias ações (1,55% dos papéis da companhia em circulação), a ser encerrado em 31 de dezembro.

"É uma forma lógica de utilizarmos nossa estrutura de capital", disse. Trata-se de uma decisão positiva, para a analista da corretora Link, Mariana Taddeo, dado o grande volume de caixa gerado pela empresa.

A bolsa vai distribuir 80% do lucro líquido em dividendos e juros sobre o capital próprio.

Fonte: Brasil Econômico

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