Bienalidade persistirá, diz pesquisador

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A bienalidade das lavouras de café arábica pode até se estreitar, mas nunca acabar por completo. Essa é a avaliação de Roberto Antonio Thomaziello, pesquisador do Centro de Café do Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

Thomaziello explica que, ao mesmo tempo em que brotam as flores que se transformarão em frutos em outubro, crescem os ramos que florescerão no ano seguinte. Quando vai produzir uma grande quantidade de café, a planta demanda muitos nutrientes para as flores e frutos – que acabam faltando para o desenvolvimento dos ramos. Assim, os ramos crescem pouco, o que significa menos frutos no ciclo seguinte.

Essa situação se alterna a cada safra. "É inerente à planta", explica o pesquisador. Segundo ele, nem mesmo o aumento da adubação e irrigação é capaz de quebrar essa característica fisiológica dos cafezais.

Thomaziello acrescenta que a bienalidade do café arábica começa a partir do quarto ano de produção de um cafeeiro novo. Já o café robusta, por ter vários "troncos", demanda um sistema de manejo de podas constantes, que gera a manutenção da produção a cada ano.

A redução desse ciclo bienal do arábica, que representa mais de 70% da safra brasileira de café, acontece em razão de novos tratos culturais, cultivos mais adensados, novas cultivares e renovação constante das lavouras, além do uso de tecnologias como a irrigação. Gabriel Bartholo, gerente-geral da Embrapa Café, estima que a diferença entre duas safras nunca será menor que dois milhões a três milhões de sacas.

Fonte: Valor Econômico

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