Baixa nos estoques mundiais e aumento no consumo elevam preço do café

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Encerrado 2010, estudos apontam que o ano foi favorável ao mercado cafeeiro. As estatísticas do CEPEA/ESALQ (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada/Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) mostram que o preço do produto registrou aumentos significativos no segundo semestre passado. O presidente da Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas (COCATREL), Francisco Miranda de Figueiredo Filho, também reconhece o melhor momento do mercado e justifica com o baixo nível dos estoques e aumento de consumo no mercado.

Mesmo com a safra recorde de 48,1 milhões de sacas (22% a mais que na temporada 2009/2010), o índice do CEPEA/ESALQ mostrou que o café arábica tipo 6, bebida dura para melhor, chegou a ser comercializado pelo valor nominal de R$411,79/saca. O CEPEA apontou ainda que a produção de café no país foi maior, mesmo com menor área cultivada. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) mostram que houve diminuição de 0,8% em comparação com 2009.

 

O presidente da COCATREL lembrou que 2002, quando o país colheu uma safra semelhante a do ano passado, na casa dos 48 milhões de sacas, representou o período em que o café foi vendido pelo preço mais baixo. Mas diferente daquele ano, em 2010 o mercado reagiu. “Não tem outra explicação. Acredito que o estoque baixo, principalmente dos países consumidores, e a grande demanda por cafés de qualidade no mercado, contribuíram diretamente para essa alta. Porque não temos no Brasil políticas públicas para o setor ou formação de estoque regulador que justifiquem”.

Mesmo com a melhora no preço do café, a maré favorável não atinge todos os produtores. Isso porque apenas aqueles com produtos de melhor qualidade têm desfrutado do bom momento. E apesar de todas as dificuldades financeiras do produtor, Francisco recomenda cuidado com o café. “Se o café não deu bebida, a diferença de preço para o que tem qualidade é considerável, na casa de R$150,00/saca. Então o produtor tem que cuidar de seu café no terreiro, ter o maior cuidado possível, porque essa qualidade será o diferencial daqui para frente”.

O presidente da Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas (COCATREL), Francisco Miranda de Figueiredo Filho, reconhece o melhor momento do mercado e justifica com o baixo nível dos estoques e aumento de consumo no mercado.

Para Francisco, a exigência do mercado pela qualidade, por um café de bebida boa, vai continuar. E quem produzir cafés inferiores vai continuar vendendo o produto a preço baixo. “Chegamos a vender em 2010 na cooperativa os cafés de melhor qualidade com preço de até R$420,00/saca, livre para o produtor. Amanhã estaremos premiando os 10 melhores cafés recebidos pela cooperativa. Desses, quatro foram selecionados para participar de uma feira nos Estados Unidos e foram vendidos por preços diferenciados. O café cereja descascado por R$500,00/saca e o de terreiro in natura por R$450,00/saca”.

Miranda analisa o mercado de commodities também de forma positiva. Ele afirmou que mesmo com o grande volume da produção de 2010 e a queda do dólar, o preço do café tem se mantido satisfatório. “Para o cooperado a valorização do produto significa lucro e dinheiro no bolso. E para a cooperativa, ela fatura mais, uma vez que a receita aqui é em função do preço do café vendido. A melhora é satisfatória não apenas para o produtor, mas também para os municípios onde a cooperativa atua no Sul de Minas, pois movimenta a economia local”.

* André Silva Rosa

Fonte: Jornal Correio Trespontano

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