Baixa das commodities derruba exportações de Minas Gerais

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O ano de 2016 será de fraco comércio internacional para Minas Gerais, um Esta do tipicamente exportador e fortemente afetado pelo ciclo de desvalorização das commodities. A alta do dólar sobre o real é insuficiente para recompor as perdas geradas com cotações em queda, principalmente no setor de mineração, que ano a ano perde representatividade na pauta de exportações mineiras, embora o minério de ferro seja ainda o produto mais vendido lá fora.

“A tendência é a de que, enquanto a China não consolidar a transição de seu modelo econômico, do mercado externo para o interno, as cotações não reajam. No caso do minério, a situação é ainda mais complexa, uma vez que há excesso de oferta no mundo, e a China tem altos estoques, pressionando os preços para baixo”, afirmou o professor de economia Pedro Paulo Pettersen.

O mercado estima preços em torno de US$ 50 por tonelada de minério neste ano. Os embarques da matéria prima para produção de aço por Minas Gerais em 2015 somaram US$ 6,1 bilhões e foram equivalentes a 28% de tudo que o Estado comercializou no mercado transoceânico. As receitas das vendas ao exterior foram 47% menores do que em 2014, quando as exportações de minério corresponderam a 40%.

“No caso do café, que sofre menos com a volatilidade, os preços devem ficar estáveis, em patamares considerados bons. Minas se posiciona bem porque ganhou competitividade no setor, aumentando a qualidade do produto”, avaliou o professor de Finanças da faculdade Ibmec Ricardo Couto.

O diferencial competitivo, no entanto, não tem capacidade de reverter a tendência de encerrar o ano novamente com queda nas exportações, segundo o professor. Outra ressalva às perspectivas de bom desempenho do café são as questões climáticas, como a possibilidade de uma seca prolongada para 2016 que pode afetar a safra. Juntos, minério de ferro e café responderam por 44,7% de tudo que Minas Gerais exportou em 2015.

“Fica evidenciada, em momentos de ciclo desfavorável, a vulnerabilidade de Minas Gerais às commodities pela falta de diversificação da economia. No caso da mineração, por exemplo, o preço atual inviabiliza algumas operações e afeta toda a cadeia”, observou Couto. Para muitas mineradoras de pequeno porte, o custo de produção está muito próximo do preço, e as atividades foram interrompidas. 

Saldo da balança comercial mineira é o menor desde 2009

A diferença entre as importações e as exportações de Minas em 2015, de US$ 13,2 bilhões, é a mais baixa dos últimos seis anos. O fraco desempenho foi provocado pelo recuo das exportações, que somaram US$ 22 bilhões, pior resultado desde 2007. Houve queda para os 11 principais destinos de produtos mineiros, que respondem por 67,5% das vendas ao exterior.

O peso da China na balança de Minas e a dependência do Estado do gigante asiático é evidente. Depois da China, destino de 24% das vendas externas, os Estados Unidos são o segundo principal parceiro econômico do Estado, com 10%, seguidos da Argentina, com 6%.

“Isso é mais evidente em relação ao minério de ferro, mas a China e o mercado asiático são destinos importantes de muitas commodities, como a soja, também produzida em Minas. A má notícia é que a consolidação da China em um novo modelo econômico vai demorar, e isso atrasa a retomada da demanda”, disse o professor de Finanças do Ibmec Ricardo Couto.

A Ásia é o principal bloco econômico parceiro do Estado e comprou em 2015 um volume 37% menor de Minas. Conforme os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) foram apuradas quedas para todos os blocos econômicos.

Parceria

Dos parceiros econômicos significativos, o México foi o único com aumento das compras do Estado, de 20%, com destaque para o setor automotivo.

Fonte: Hoje Em Dia (Bruno Porto)

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