Avanço da colheita confirma queda de rendimento do café

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O Conselho Nacional do Café (CNC) informa em seu balanço semanal que, à medida que a colheita avança, vem se confirmando o temor dos produtores em relação ao menor rendimento dos frutos e queda na produtividade das lavouras, provocados pelas adversidades climáticas.

A entidade lembra que a falta de chuvas na florada, no início da primavera do ano passado, e o veranico, entre dezembro de 2014 e fevereiro deste ano, “foram tão intensos que os pés de café não conseguiram reverter o cenário e sofreram os efeitos colaterais dessa deficiência hídrica”.

Segundo o CNC, os cafés colhidos apresentam grãos menores e miúdos, o que reduz a produtividade das lavouras, já que são necessários mais grãos para se encher uma saca de 60 kg. Na visão do CNC, “o mercado tem a visão equivocada de uma grande safra em andamento”.

De acordo com a entidade, as cooperativas cafeeiras informaram que neste ano têm utilizado medidas de até 600 litros de grãos para encher uma saca de café, quando o normal seriam 480 litros. Além disso, diz o CNC, apenas cerca de 15% dos cafés colhidos são mais graúdos, apresentando peneira 17 acima. Em safras normais, o percentual de peneira seria superior a 30 pontos.

Na avaliação do CNC, que reúne representantes das cooperativas e de associações de cafeicultores, a quebra de rendimento tem sido observada, ainda que em menor proporção, também em regiões de café irrigado. A entidade explica que o nível de precipitação abaixo da média reduziu a disponibilidade de água no solo. O problema foi agravado pelos elevados índices de evapotranspiração das plantas, provocados pelas altas temperaturas no início deste ano.

O CNC observa que o recebimento de café por parte das cooperativas “é um claro indicador da perda de produtividade nas lavouras” e calcula que houve queda de 20% na entrega de grãos, em relação à safra passada. “O atraso na colheita interfere na quantidade recebida, haja vista que a anormalidade do clima gerou diversos estágios de maturação, mas o fator principal é, de fato, o alto índice de grãos menores”, diz a entidade.

Safra 2016
O CNC ainda expressa temores em relação ao clima nos próximos meses, lembrando que a situação não voltou à normalidade nas áreas produtoras do Brasil, “o que, certamente, deverá impactar de forma negativa o volume a ser colhido em 2016”. Entretanto, diz a entidade, “é necessário aguardar o término da colheita atual e o início das próximas floradas para que possamos apurar melhor o desempenho que poderá ser apresentado no ano que vem”.

O boletim do CNC cita comunicado do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) sobre o avanço da colheita, cujos trabalhos estão encerrados nas áreas produtoras de conilon. Em relação à variedade arábica, o Cepea calcula que nas principais regiões a colheita atingiu ou superou levemente a metade do volume previsto, “com exceção da Mogiana Paulista, onde a cata se encontra em níveis levemente superiores a 40%”.

O indicador de preços do café calculado pelo Cepea atingiu ontem R$ 428,62/saca, o maior valor registrado em julho e mais alto desde o dia 12 do mês passado. A média mensal de julho deve fechar em R$ 413,50/saca, em queda de 2,6% em relação a junho (R$ 424,02/saca) e 6,6% acima do mesmo mês do ano passado (R$ 387,87/saca). A média acumulado de janeiro a julho ficou em R$ 439,28/saca), em alta de 12% em relação aos R$ 392,15/saca registrado nos primeiros sete meses do ano passado.

Fonte: Redação Globo Rural (Venilson Ferreira)

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