Aumento de produção do café não garante maior renda, diz CCCMG

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O aumento da produção do café no terceiro trimestre do ano foi um dos itens que ajudaram o agronegócio a registrar o melhor desempenho entre os setores abrangidos pelo Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no período. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a agropecuária cresceu 2,5% na comparação com o período de abril a junho – e a produção de café teve papel de destaque sobre este número. Beneficiada pelo período de colheita, a produção da cultura registrou aumento de 14,5% no terceiro trimestre do ano.

No entanto, segundo o presidente do Centro de Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG), Archimedes Coli Neto, esse aumento de produção não significa um retorno imediato para o setor. "Esse número seria muito bem vindo se o café tivesse conservado os mesmos preços do ano passado. O aumento de produção não significou um retorno em números para o agricultor", disse Neto, se referindo à queda do preço médio da saca do café, hoje negociada em torno de R$ 360.

Em 2011, a saca do produto chegou a ser negociada a R$ 550. Ainda conforme a entidade, na região Sul de Minas, o custo de uma saca de café gira em torno de R$ 300, levando em consideração a mão de obra e todos os insumos necessários.

Para presidente do CCCMG, maior produtividade não garante maior renda. (Foto: Lucas Soares / G1)  

Outro fator que chama a atenção nos números divulgados pelo IBGE é que o café registrou um aumento de produção mantendo praticamente a mesma área plantada, que cresceu apenas 0,1% no terceiro trimestre.

"Hoje o produtor está conseguindo ter uma maior produtividade por hectare devido às melhores cultivares, novas técnicas de podas e melhorias no trato cultural. Isso tem feito com que o produtor também consiga fazer um equilíbrio de sua produção. Ele está conseguindo gerenciar melhor o seu produto, já que graças às técnicas de esqueletamento, ele consegue fazer um melhor uso de sua lavoura", completa o presidente do CCCMG.

É o que tem garantido ganhos para o produtor Geovani Ismael Reguim, de Varginha (MG). Combinando um bom sistema de irrigação, adubação e pulverização com técnicas de poda, o produtor tem conseguido atingir uma produtividade de cerca de 40 sacas por hectare, bem acima da média nacional, que gira em torno de 25 sacas por hectare. Na chamada "Safra Zero", o produtor faz o esqueletamento de metade da lavoura, que fica inutilizada por um ano, mas que ganha força no ano seguinte e produz muito mais. "É um sistema que faz com que você tenha o café por todo o ano", diz o produtor.

O produtor Geovani Ismael Reguim: esqueletamento traz mais produtividade. (Foto: Lucas Soares / G1) 

Neste ano, o produtor ainda colhe os frutos da boa safra de 2012 e já se prepara para o ano que vem, cuja estimativa já mostra que a safra será pior. "A expectativa é de queda de 40% abaixo. A safra 2011/2012 foi favorecida com muitas chuvas, foi um ano de produção bom. Mas para o ano que vem, já estamos esperando que será pior", diz o produtor.

Para o presidente do CCCMG, a situação para o produtor não deve mudar neste fim do ano e a melhora do setor vai depender de alguns fatores para o próximo ano. "Já sabemos que 2013 será um ano de baixa, então o bom andamento do setor vai depender do tamanho da crise financeira lá fora e da recuperação das exportações brasileiras, que em 2012 deverá fechar com quatro ou cinco milhões de sacas a menos do que o ano passado", completa Neto.

Fonte: G1 Sul de Minas (Lucas Soares)

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