ARÁBICA NO MAIOR NÍVEL DESDE JANEIRO DE 2013

O Banco Central Americano manteve as expectativas e cortou outros 10 bilhões de dólares de suas compras mensais de títulos cujo volume agora está em 65 bilhões de dólares por mês.

Indicadores econômicos dos Estados Unidos apontam para uma diminuição de poupança no país, dado o incremento dos gastos pessoais e a diminuição de renda. Na temporada de divulgação de resultados das empresas alguns gigantes têm decepcionado, e as bolsas locais cedem depois de um ano de ganhos significativos.

O mercado mundial acionário perdeu 1.8 trilhões de dólares em Janeiro, sendo que os emergentes foram os que mais desvalorizaram percentualmente, assim como suas moedas.

Os principais índices das commodities tiveram performances positivas, no mesmo período, puxados pelo gás natural, café, cacau, suco de laranja e o ouro. Os metais industriais assim como os grãos foram os perdedores, em linha com um arrefecimento da atividade chinesa.

O contrato “C” subiu US$ 14.29 a saca nos últimos cinco dias apesar das vendas constantes das origens, e o robusta puxou US$ 5.16 a saca apesar dos feriados no Vietnã. O motivo principal do rallye foi a preocupação de perdas da safra brasileira em função das faltas de chuva, o que também provocou uma recompra de fundos que estavam se animando em ficar mais vendidos novamente.

O comportamento corrobora com o pensamento que tenho dividido com meus leitores neste espaço, de que as notícias baixistas já estavam precificadas, e que surpresas deveriam ser positivas para as cotações – no caso agora climáticas e de revisões de safras menores, não apenas para Brasil mas para a América Central.

O tempo seco no principal país produtor gera opiniões para todos os gostos, desde as céticas que não crêem em perdas – e que alguns lembram as observações do Sr.Décio Ribeiro que falava que café vem da África, e portanto uma planta extremamente resistente à seca – até as mais alarmantes que já quantificam perdas de mais de 5 milhões.

O mais razoável, creio, é imaginarmos que a produtividade deve sim ser afetada, mas para dizer o quanto há que se esperar um pouco mais. Institutos de meteorologia dizem que precipitações devem ocorrer apenas a partir da segunda semana de fevereiro, e com maiores intensidades a partir do dia 14.

A alta do terminal aliada a desvalorização do Real fez com que Nova Iorque atingisse o maior nível em reais por libra-peso desde o dia 24 de janeiro de 2013, tanto para a primeira quanto para a segunda posição, razão que explica a movimentação forte do físico – mesmo que os diferenciais não tenham enfraquecido para os naturais.

Os diferenciais dos suaves firmaram durante a semana, fruto de menor disponibilidade na América Central e impasse quanto ao subsídio na Colômbia. Este é um sinal de que o Brasil pode ser a única pressão de venda em novos movimentos de alta.

A dúvida agora paira sobre o exercício ou não do exercício das opções de venda brasileiras, que sem dúvida poderia prover um suporte melhor para o arábica caso haja uma retirada de 3 milhões de sacas do mercado. Os custos de preparação variam entre R$ 15.00 e R$ 25.00 reais a saca, dependendo de diversos fatores como logística, e juros.

Tecnicamente o momento não poderia ser melhor com o rompimento da maior parte das médias móveis e o fechamento semanal nas máximas. Os fundos ainda vendidos podem dar um pouco mais de gás, entretanto é bom ficar de olho nos prognósticos climáticos, pois certamente previsões de chuvas mais próximas devem causar uma redução do prêmio de seca que está sendo precificado.

O intervalo de negociação deve ficar entre 115 e 135 centavos por libra, e aos produtores é importante aproveitar para fixar suas vendas.

Uma boa semana e muito bons negócios a todos.

* Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

Fonte: Archer Consulting via Rede Social do Café

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