Anos após uma decepção, o reconhecimento e o 1º lugar

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Em 1997, quando levou pela primeira vez o café produzido em sua propriedade aos EUA, Edmo Junqueira Villela não ficou muito feliz com a recepção que o produto teve em terras americanas. Mas isso não foi um revés para ele. Pelo contrário. A situação acabou estimulando o cafeicultor a investir na qualidade do café, conta sua filha Cinthia Dias Villela.

O resultado é que hoje o grão da Fazenda Nossa Senhora Aparecida, de Carmo de Minas, no sul de Minas Gerais, está entre os premiados em concursos de cafés especiais no país.
O trabalho para melhorar a qualidade do café da propriedade foi reforçado há cerca de seis anos, quando Cinthia e seus irmãos decidiram também cuidar do negócio.

O esforço compensou. O café da Nossa Senhora Aparecida foi eleito o melhor no 3º Concurso de Qualidade de Cafés do Brasil "Cup of Excellence Late Harvest", realizado na primeira quinzena de janeiro, com nota 92,2 pontos em uma escala que vai de 0 a 100.

Para Cinthia Vilela, a premiação é "a consagração de todo o trabalho" de seu pai. "Ele investiu muito na fazenda, na produção, fez cursos", disse. Agora, ela espera que os preços dos cafés da propriedade se valorizem, ainda mais com o leilão internacional dos lotes vencedores do concurso, marcado para ocorrer em março. "Valoriza o nome da fazenda, mostra que o nosso café está se destacando", diz ela.

A região de Carmo de Minas tradicionalmente produzia café commodity, mas há uma "mudança de mentalidade", principalmente por parte de cafeicultores de gerações novas, que querem produzir mais café de qualidade e menos quantidade, garante Cinthia.

Ela diz que, apesar do custo 20% a 30% mais alto para produzir um café especial em relação ao commodity, o investimento vale a pena. Hoje, na região de Carmo de Minas, produzir uma saca de café gourmet custa cerca de R$ 300,00. Dependendo da época do ano e da qualidade do produto, o café pode ser vendido por R$ 600 a R$ 900 a saca. Um dos fatores que elevam o custo de produção é a topografia da região, de montanhas, que impede a mecanização da colheita.

Os cafés especiais da Nossa Senhora Aparecida também são vendidos dentro do projeto Direct Trade, da Carmo Coffees. Diante dos resultados obtidos até agora, Cinthia pretende investir em estruturas para melhorar e aumentar a produção de cafés especiais da fazenda, hoje em torno de 15% a 20% da safra total, que em 2013 foi de 2,5 mil a 3 mil sacas.

Valor Online – São Paulo/SP – BRASIL – 29/01/2014 – 05:35:42

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