Americanos de olho em rochas, café e celulose do Espírito Santo

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Os setores de pedras ornamentais, café, siderurgia, celulose, construção de casas e barcos de pesca poderão criar oportunidades de negócios em um futuro próximo entre capixabas e norte-americanos do Estado da Carolina do Sul.

Pelo menos é o que tentará costurar uma comitiva capixaba que visitará o Estado americano de 30 de outubro a 24 de novembro. Chamada de “comissão comercial”, ela contará com empresários locais, membros do governo do Estado e com o cônsul-geral dos Estados Unidos, no Rio de Janeiro, James Story, que ontem palestrou no plenário da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).

“Acho que os dois Estados poderiam trocar experiências, produtos em que um precisa do outro, utilizar o Porto de Vitória para importação de produtos dos EUA, e o Porto de Charleston (cidade da Carolina do Sul) para importação de coisas do Brasil”, explica o cônsul, que completou: “Daqui sairiam produtos como café, mármore e a indústria de construção de casas, que está crescendo nos Estados Unidos. Da Carolina do Sul, que tem três, quatro fábricas de barcos, poderiam exportar as embarcações para cá ou produzi-las aqui, já que o Espírito Santo tem uma pesca desportiva muito forte. Esses são alguns exemplos”.

Natural da Carolina do Sul, Story disse que a similaridade entre os Estados contribuirá para a troca de experiência e negócios.

“Eu sou de lá, mas não foi minha ideia. Uma pessoa do meu Estado que abriu meus olhos de que tem muitas coisas similares entre o Espírito Santo e a Carolina do Sul, como montanhas, praias, população mais ou menos de mesmo tamanho, portos importantes, pesca, cultura forte, ou seja, possuem uma afinidade natural que deveríamos explorar as possibilidades. Esperamos voltar de Charleston com coisas já assinadas ou pelo menos indicadas”, aponta James.

SIDERURGIA 

A parceria entre Espírito Santo e Carolina do Sul ainda está no plano inicial de sondagem, mas empresários do setor siderúrgico e de celulose do Estado já vislumbram negócios com os norte-americanos que, inicialmente, podem girar na casa dos R$ 5 milhões anuais (siderurgia) e R$ 1,5 milhão (celulose).

“É uma relação que tem que ser construída, mas considerando o tamanho das plantas que eles nos passaram, similares a que temos aqui, são valores muito expressivos. Eu diria que são serviços acima de R$ 100 milhões de dólares por ano, na parte de siderurgia e 30 milhões de dólares, na área de celulose. Se ficarmos com uma parte disso para começar, 5%, já é um grande ganho para nossas empresas locais”, disse o consultor de negócios e presidente do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metal Mecânico (CDMEC), Durval Vieira de Freitas.

Estado quer intercâmbio com americanos no setor de turismo

A história do turismo da cidade de Charleston, na Carolina do Sul, Estados Unidos, também deverá servir de inspiração para que o Espírito Santo possa explorar melhor o seu potencial no setor.

O cônsul-geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro, James Story, lembra que sua cidade de origem há cerca de 30 anos não tinha a força turística que tem atualmente.

“Na década de 70 e 80, Charleston não era lugar para turismo. Hoje em dia, o polo econômico é o turismo. Eles fizeram um belo trabalho para chamar atenção para as atrações que nós temos, como as praias, a pesca, as mansões da guerra entre Norte e Sul (Guerra de Secessão, de 1861 a 1865), a cultura e agora se transformou em um polo gastronômico para o país”, conta.

“Podemos começar uma conversa porque o Espírito Santo tem muito a oferecer. Por exemplo, é o melhor lugar no mundo para pescar marlim e ninguém sabe disso. Tem que divulgar a informação, gerar uma indústria baseada nisso, essas são coisas que deveríamos pensar”, destaca o cônsul sobre as potencialidades.

A subsecretaria de Estado do Turismo, Simone Modolo, disse que um portfólio será levado aos americanos para possíveis investimentos nessa área no Estado. “Estamos levando portfólio de possíveis investimentos em diversas áreas, como saneamento, intercâmbios com universidades capixabas e o turismo, com os nossos parques estaduais”.

Por Kleber Amorim/ Gazeta Online

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