Ambiente externo pressiona futuros de café em Nova York

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Os contratos futuros de café arábica caíram ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), influenciados pelas notícias financeiras negativas na China e pelo fortalecimento do dólar ante o real. O mercado deve continuar pressionado e pode buscar níveis mais baixos.

As preocupações com a China têm elevado o grau de aversão ao risco pelos investidores. A Bolsa de Xangai teve ontem a maior queda em mais de oito anos, por causa de temores de que o governo retire medidas para controlar a volatilidade dos mercados. Os preços das commodities, entre elas, agrícolas, metais e petróleo, recuavam à tarde, com o dinheiro se deslocando para ativos mais seguros, como títulos do Tesouro norte-americano. A moeda norte-americana se valorizou 0,36% ontem, a R$ 3,3610.

O diretor de Commodities, Rodrigo Costa, do Banco Société Générale, informa que o efeito China, assim como um aceno de uma política monetária menos expansionista nos Estados Unidos e o acordo com o Irã, pressionam fortemente as commodities.

Paralelamente, acrescenta Costa, as moedas de países dependentes em commodities têm batido novas mínimas de vários anos. O real está no menor nível desde abril de 2003, enquanto o peso colombiano recua para valores nunca vistos desde novembro de 2003. A desvalorização “é a forma de compensar as baixas dos preços internacionais das commodities que estes países produzem”, observa Costa. No entanto, essa tendência protela o ajuste necessário na oferta mundial, que está acima da demanda no caso de muitas matérias-primas.

O diretor do banco salienta que, no caso do café, a queda das cotações tem mais a ver com o comportamento das moedas do que uma abundância de oferta. Costa pondera, no entanto, que os estoques dos países produtores migraram para as nações consumidoras. “Há um certo conforto para os compradores, que creem em um ciclo mais generoso em 2016/17, se vingar a florada dos cafezais brasileiros”.

Costa informa, ainda, que os fundos de investimento podem estar com uma posição bruta vendida acima de 60 mil contratos, não muito longe do recorde de 71.980 lotes, em março de 2013, quando então se falava de uma grande safra brasileira. No dia 21 de julho, os fundos estavam com saldo líquido vendido de 23.534 lotes no dia 21 de julho.

Os futuros de arábica em Nova York trabalharam no terreno negativo na maior parte do pregão de ontem. O vencimento setembro encerrou em baixa de 1,5% (185 pontos), a 120,40 cents. O mercado marcou máxima de 122,30 cents (mais 5 pontos). A mínima foi de 119,85 cents (menos 240 pontos). 

O Rabobank, em seu relatório sobre commodities de julho, informa que os fundos de investimento continuam apostando contra o café, mas um excesso de oferta do grão não é provável. O banco salienta que a fraqueza do real e do peso colombiano sinaliza queda para os preços do arábica. Segundo o Rabobank, os cafeicultores vietnamitas seguram a produção, enquanto a Bolsa de Londres (ICE Futures Europe) absorve quaisquer grãos de robusta que chegam ao mercado.

Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) informam que as cotações do arábica no mercado físico brasileiro ficaram praticamente estáveis ontem. O indicador Cepea/Esalq do Café Arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, fechou a R$ 414,49/saca de 60 kg, praticamente estável (-0,03%) no dia.

A retração vendedora vem limitando os negócios com robusta, mesmo com preços firmes. O indicador Cepea/Esalq do robusta tipo 6, peneira 13 acima, fechou a R$ 311,54/saca de 60 kg, avanço de 0,29% no dia. O tipo 7/8, bica corrida, ficou em R$ 301,25/saca, alta de 0,36% na mesma comparação – ambos à vista e a retirar no Espírito Santo.

Fonte: Agência Estado

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