Altas temperaturas e chuvas ameaçam qualidade de café brasileiro

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Agricultores brasileiros têm uma má notícia para os connoisseurs de café.

No maior estado produtor de café do país, algumas fazendas tiveram uma florada irregular no ano passado e sofreram com temperaturas altas durante a maturação, o que sinaliza uma redução de grãos especiais.

“Não vimos as temperaturas mais amenas de sempre em março”, disse César Oliveira Junior, cuja plantação fica em Alfenas, sul de Minas Gerais. “Durante a maturação, os grãos verdes secaram rapidamente como uma uva passa.”

Segunda geração de uma família de cafeicultores, Oliveira cultiva 210 hectares da variedade arábica em três fazendas e, geralmente, produz 60% de café semi-lavado, que é vendido por preços mais altos e preferido por marcas de prestígio como Illy. Mas, nesta safra, Oliveira talvez colha menos de mil sacas de semi-lavado de um total de 4,5 mil sacas produzidas.

“No calor, a janela para colher o café tipo cereja fecha muito rápido”, disse em entrevista Givago Miranda, agricultor do município de Três Pontas. “A casca gruda no grão.”

Os primeiros grãos colhidos nas fazendas de Miranda apresentaram produtividade ligeiramente superior à esperada, embora o baixo volume de café cereja semi-lavado seja um pouco preocupante.

“Espero poder produzir o suficiente para preencher contratos de venda de semi-lavados ou vou ter que comprar de terceiros”, disse.

Do total de 8,5 mil sacas que espera produzir este ano, o café cereja semi-lavado pode responder por menos de mil sacas. O volume é menos da metade da expectativa de Miranda.

Nos últimos dois anos, as exportações recordes do Brasil contribuíram para um superávit global e acabaram reduzindo os preços. Nos últimos dias, o clima adverso no país impulsionou os preços do arábica.

Além das altas temperaturas, o excesso de chuvas no início do mês aumentou o volume de grãos derrubados no solo, o que normalmente significa níveis mais altos de fermentação e menor qualidade, já que afeta o sabor da bebida, disse Miranda.

Este ano, o café de baixa qualidade pode responder por até 25% da produção, comparado com a parcela de menos de 10% vista normalmente, disse. “Também tivemos dias seguidos de chuvas pesadas sobre os grãos que secavam nos terreiros ao ar livre”, disse Miranda.

Na região do Cerrado, a irrigação aliviou os efeitos das altas temperaturas durante a maturação, mas a expectativa ainda é de redução da produção de café cereja descascado, disse Paulo Veloso Júnior, diretor da Veloso Green Coffee, braço de comercialização da Veloso Agropecuária, em Carmo do Paranaíba.

“Embora seja muito cedo para fazer uma estimativa, certamente teremos menos cerejas descascados e mais grãos derrubados no solo”, disse Veloso, em uma das fazendas do grupo no município de Presidente Olegário, norte de Minas Gerais.

Apesar da preocupação com a qualidade, os volumes totais de café colhidos não devem ser afetados. A Veloso Agropecuária tem previsão de colher 200 mil sacas de café arábica este ano em relação às 180 mil sacas da safra anterior. “Novas áreas estão começando a produzir este ano”, disse Veloso.

Entre janeiro e abril, o Brasil embarcou 2,5 milhões de sacas de grãos arábica premium, ou cerca de 20% do total de exportações de café verde arábica, o maior volume para o período nos últimos três anos, segundo o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé).

Fonte: Bloomberg (Com a colaboração de Shruti Date Singh e Isis Almeida) via UOL Economia

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