Agricultor mineiro ignora crédito de R$ 3 bilhões

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O Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), do Governo federal, que visa redução de emissão de gases do efeito estufa no campo, ainda não decolou em Minas Gerais por falta de informação. Uma linha de crédito especial, com fundos de R$ 3,15 bilhões, já pode ser acessada pelos produtores rurais no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Outros R$ 850 milhões estão disponíveis no Banco do Brasil (BB), em condições facilitadas. No entanto, até agora apenas 100 mineiros foram até o BB para tentar obter os recursos, com pedidos que totalizam R$ 60 milhões.

O programa foi lançado em junho do ano passado e as linhas de crédito, no início deste ano. Os produtores da agricultura empresarial podem tomar até R$ 1 milhão para financiamento para projetos de redução de emissões de gases do efeito estufa. O objetivo do programa é reduzir a emissão desses gases na agricultura entre 36% e 39% até 2020 e aumentar as áreas cultiváveis do país com a recuperação de áreas degradadas.

Segundo o diretor do Departamento de Produção e Sustentabilidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Carlos Magno, o governo prevê um investimento de R$ 196 bilhões até 2020.

O gerente de mercado de agronegócio do BB em Minas Gerais, Juliano Dias Oliveira, explica que os recursos disponibilizados para crédito pelo banco são oriundos da poupança. As condições do financiamento, tanto no BNDES quanto no Banco do Brasil, são as mesmas: 12 anos de prazo para pagar, juros de 5,5% ao ano e teto de R$ 1 milhão por agricultor. A cada ano safra, que vai de 1 de julho a 30 de junho do outro ano, um novo crédito pode ser contratado.

Já para os agricultores familiares, os recursos são do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Nesse caso, as condições são prazo de pagamento de 12 a 20 anos, juros entre 1% e 2% ao ano e teto de R$ 50 mil por agricultor.

Segundo Oliveira, os agricultores interessados no financiamento devem procurar uma agência do BB. É preciso apresentar ao banco um projeto elaborado por instituições públicas ligadas à agropecuária, como a Embrapa e a Emater, ou privadas. “As condições são boas, o crédito está disponível, mas os agricultores não estão nos procurando”, afirma.

O superintendente do Ministério da Agricultura em Minas Gerais, Antônio do Valle Ramos, acredita que os produtores não estão aderindo ao programa por falta de informação. “Enquanto os agricultores continuarem sem saber o que é o programa, eles não vão buscar financiamento”, disse.

A coordenadora do grupo gestor do Programa ABC em Minas Gerais, Mirian Ester Soares, explica que para implantar o programa no estado será elaborado até o ano que vem um plano com as metas de redução de gases no Estado e as técnicas a serem utilizadas nas lavouras. Além disso, o governo estadual e o BB vão aumentar a divulgação das linhas de financiamento para que o produtor tenha acesso a elas. 

Fonte: Hoje Em Dia

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