À PROCURA DE ATIVOS REAIS – UM CAFEZINHO POR FAVOR

Más notícias do mercado de trabalho americano serviram para reforçar a crença de que na próxima reunião do FED o comitê dará indicações de alguma forma de estimular a economia, muito provavelmente através de novas medidas de irrigação do sistema via compra de títulos.

A semana que estava caminhando para encerrar relativamente estável, teve na sexta-feira uma nova onda de investidores comprando ativos reais, e com isso o Dow Jones quebrou o nível de 11,000 pontos, assim como o ouro fez nova máxima histórica, e os índices das commodities fecharam nos maiores níveis desde outubro de 2008.

O enfraquecimento da moeda americana, um santo remédio para a economia do país, deu apoio inclusive para commodities que estavam com jeito de cair mais, como o café. Nos grãos a subida dos preços foi provocada pela queda da estimativa de produção do milho, que impactou por consequência o trigo e a soja.

O café começou a semana fazendo novas mínimas recentes, negociando a US$ 171.60 centavos, porém encontrou casas comerciais aproveitando a baixa e correndo atrás das fixações atrasadas. O Euro que bateu o patamar mais alto desde o começo de fevereiro, ajudou os operadores europeus, que viram fundos liquidando uma parte de suas posições compradas.

No físico a atividade secou com a forte baixa, e voltou a reviver na puxada de sexta-feira, ainda que praticamente a única origem que participe seja o Brasil, que ganha mais espaço no mercado internacional.
Para comprovar, a CECAFE divulgou o volume exportado pelo Brasil no mês de setembro, um total de 3,218,212 sacas – o segundo maior em volume, e um recorde em valores financeiros, US$ 580.8 milhões – viva a cafeicultura brasileira!

Com os preços voltando a subir, nossos vizinhos se animam com a expectativa de aproveitar a nova puxada da bolsa para vender seus cafés que estão sendo colhidos.

No primeiro Coffee Dinner que aconteceu na Suiça, país onde estão praticamente todos os grandes agentes de café no mundo, o sucesso foi tanto que tinha uma fila de gente que não conseguiu comprar uma mesa no evento. Entre várias visitas e conversas, a sensação que predomina é de que pouca gente conseguiu ganhar dinheiro especulando com o mercado, mas ao mesmo tempo a “operação-café” resultou em ganhos polpudos – talvez com exceção para a ponta final da cadeia. A performance do café e a forte volatilidade deixa duas certezas: a primeira é a falta de consenso de onde o mercado irá parar; e a segunda é a quebra do paradigma da flexibilidade das misturas – ou blends (assunto que abordei neste espaço em alguns comentários). Parabéns aos organizadores do evento, que serviram seus convidados pontualmente – como se esperaria dos suíços – e com refeições boas e quentes, algo raro nos grandes eventos.

Enquanto os principais agentes do mercado de café se preparavam para atender o jantar, o mercado futuro teve uma forte subida na sexta-feira, devolvendo a esperança aos altistas para que o mercado rompa os US$ 200.00 centavos até o final do ano. Sem dúvida a redução de quase 8 mil lotes da posição comprada dos fundos, e a fraqueza constante do dólar americano voltam a dar folego para o café, mas vale lembrar que devemos encontrar um pouco mais de vendedores caso a bolsa volte a visitar os US$ 190.00 centavos. Portanto creio que o intervalo entre US$ 170.00 e US$ 190.00 centavos deve durar ainda algum tempo.

Uma ótima semana e muito bons negócios para todos.

* Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

Fonte: Archer Consulting

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