A ILUSÃO DA “QUEDA” DOS CERTIFICADOS

O “Papandemonium” criado por uma quase-consulta aos eleitores gregos, surpreendeu os líderes da Europa e causou uma queda das bolsas de ações.

A concordata de uma corretora internacional também inflamou os nervos, e gerou desconfiança de investidores sobre outras instituições financeiras.

Os ganhos do índice S&P em outubro que foram os melhores (em um mês) desde 1974 logo perderam o brilho frente a novas turbulências.

A crise de confiança se espalha por outros setores, e a sensação de desproteção é enorme quando se ouve falar que fundos de clientes que pela lei teriam de ser segregados podem ter sido perdidos. Mais uma vez reguladores mostram o quão difícil é supervisionar o mercados. Imaginem então como devem ser os controles sobre os super-computadores que muitas vezes negociam até 70% do volume diário de alguns ativos…

Para piorar o cenário, os negociadores de commodities vêem falhas em alguns contratos que prejudicam a revelação apropriada dos preços, o que cria uma referência pobre para os hedgers em geral. Exemplo disto é o que tem acontecido com os certificados na ICE, que tiveram uma queda grande nas últimas semanas (dando a impressão de maior utilização de café), para recentemente provavelmente os mesmos cafés estarem se alinhando para serem (re)classificados. A aprovação de “novas” classificações rejuvenesce o café via a data que é aprovado. Na LIFFE quem tem recebido o contrato de novembro e tenta retirar cafés dos armazéns, tem passado a experiência da limitação do volume diário de carregamento dos armazéns, causando longa espera para receber o produto que precisa ser torrado (e enquanto isto obviamente os custos de armazenagem continuam sendo aplicados).

Ajustes em ambos os contratos precisam ser feitos para não privilegiar alguns em detrimento de tantos outros participantes – o problema da re-certificação no “C” parece que vai ser resolvido com a mudança de algumas regras que entram em vigor a partir do contrato de março de 2013. Para o momento fica mais difícil a tarefa dos traders em descontar o fundamento de tecnicalidades.

O arábica em Nova Iorque fechou a semana com perda de US$ 6.55 por saca, enquanto em São Paulo ficou de lado, fazendo com que a arbitragem firmasse para US$ 17 centavos positivos – ou seja o café brasileiro entregável na BM&F está US$ 22.49 por saca mais caro do que os suaves entregáveis na ICE. O robusta em Londres perdeu US$ 5.64 por saca, e a confusão da desova nos armazéns firmaram os diferenciais no spot.

No Brasil a movimentação do físico não foi de todo o ruim, em uma mistura de antecipação do fim do PIS/COFINS, cobertura de diferenciais por parte dos que estão vendidos, produtores equalizando vendas para não pagar tanto IR referente a 2011, e uma corrente de altistas que acreditam que o que está caro ficará ainda mais caro.

Eu tenho a impressão que o encarecimento dos diferenciais que todos esperam acontecer no primeiro trimestre do ano está sendo antecipado pelos fatores mencionados no parágrafo anterior, ou seja, creio que no começo do ano veremos o terminal subir e os diferenciais enfraquecer. Isto não significa dizer que os cafés finos voltem a negociar a níveis negativos como alguns desejam, mas acredito que não devem se manter nos atuais patamares.

Desta forma me parece que a bolsa continua dando uma boa oportunidade de compra, apesar das deficiências provocadas pelos certificados.

Uma ótima semana e muito bons negócios para todos,

* Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

Fonte: Archer Consulting

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