A GEADA NEGRA E O OURO VERDE

O amanhecer de 17 para 18 de julho de 1975 foi um momento chave na história do Paraná, quando se abriram portas de uma nova era para os paranaenses. Enquanto a Curitiba branca de neve saía às ruas para comemorar também os feitos da revolução urbana que recuperava a autoestima da cidade, no dia seguinte Londrina saía ao campo para chorar naquela manhã gelada do dia que alterou em definitivo a economia, a geografia e a cultura do estado.

Depois da Geada Negra de 1975 o Paraná nunca mais foi o mesmo, conta a reportagem de Diego Antonelli na Gazeta do Povo de domingo: “O ouro verde virou cinzas da noite para o dia. Um cheiro forte de café torrado tomou conta de toda Região Norte do Paraná. A Geada Negra não poupou ninguém e a manhã de 18 de julho de 1975 mudou para sempre a história do estado. As alterações na formação urbana e econômica são duas das marcas que permanecem quatro décadas após um dos maiores golpes sofridos nas lavouras paranaenses”.

A Geada Negra recebe esse nome porque queima as plantas por dentro, deixando-as com aparência escura. A baixa temperatura e o vento intenso causam o rápido congelamento da seiva. No caso de Londrina, seria preciso esperar três anos até o café se recuperar e cerca de 300 mil famílias de trabalhadores reaverem seus empregos.
Na tragédia, cerca de 1,2 milhão de pessoas deixaram o campo no Paraná, acelerando êxodo rural que vinha se desenhando desde a década de 1960. Embora o principal destino dessas pessoas tenha sido Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e o atual território do Tocantins, muitas foram tentar a vida nas áreas urbanas dentro do Paraná. Fato que implicou uma reconfiguração das cidades do estado. Curitiba, por exemplo, que depois da Geada Negra nunca mais foi a mesma.

Do dia 17 de julho de 1975 em diante, com a neve e os urbanistas fazendo com que os curitibanos se sentissem vivendo numa cidade do Primeiro Mundo, nem mesmo a boemia da capital voltou a ser o que era. Se em Londrina a Geada Negra matou os cafezais, em Curitiba as vítimas foram as casas noturnas que ficaram sem o Ouro Verde.

Até o inverno de 1975, o sonho do fazendeiro era ter um cadillac vermelho, um cavalo no prado e uma amante argentina. Com a Geada Negra, só restou a conta pendurada numa boate da capital.

* Dante Mendonça – (Cronista e cartunista, membro da Academia Paranaense de Letras, na selva da cidade é um caçador de histórias)

Fonte: Paraná Online

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