A DIFERENÇA DO CAFÉ BRASILEIRO E O COLOMBIANO

O Brasil é o maior produtor de café do mundo. Dentre as espécies, a mais comercializada no mercado nacional e internacional é o café arábica, o qual controlamos de 50% da comercialização mundial. É por isso que esse grão é conhecido no país como ouro verde.

Porém o famoso cafezinho brasileiro há muito tempo vem sofrendo com a desvalorização perante o produto colombiano ou de países centrais. Fato é que a comparação é injusta, assim como o valor agregado ao grão produzido no Brasil e ao produzido na Colômbia.

Algumas observações que são ignoradas pelo comércio na bolsa de Nova Iorque fazem toda a diferença para o consumidor. O café colombiano, negociado no contrato “C”, é um tipo lavado e precisa ser comercializado em até seis meses para não perder suas características, como a cor. Já o brasileiro é natural, que além da qualidade superior, ainda pode ser armazenado até o mercado oferecer preço justo.

Essa disparidade exige uma desvalorização de 40%, aproximadamente, perante os cafés certificados na bolsa americana. Mas não há essa depreciação, o que impossibilita a comercialização por produtores brasileiros.

Na cotação de U$2 libra peso, em março do ano que vem, a Colômbia vai comercializar seu café com preço cerca de 50 centavos de dólar sobre este valor. Enquanto o Brasil vai vender o produto de melhor qualidade a 30 centavos de dólar menos. Se o café colombiano representa o contrato “C”, pó que a cotação não é regularmente U$ 2,50? O resultado disso é uma perda de quase R$ 90 por saca.

A sociedade e o contribuinte são quem paga pelo prejuízo. O país perde divisas fazendo negociações no mercado internacional baseada numa cotação de concorrente e produto que não correspondem ao brasileiro. E não há alternativas para marketing do café brasileiro, visto que a Colômbia conseguiu tornar censo comum que seu produto é o melhor. Com isso, o produtor tem que vender sua produção a valores muito menores para sobreviver.

A situação já é de conhecimento o governo, mas as multinacionais e exportadoras vêm pressionando. Como não bastasse a desvalorização, a classe ainda tem uma dívida que a torna dependente de um sistema. Isso impossibilita a comercialização justa, visto que sem capital, o produtor tem que entregar a produção ao valor que encontrar para sobreviver apenas, sem condições de investir e revitalizar a lavoura e melhorar a produção.

O que a classe espera é uma solução do governo, da próxima administração, para que o cafeicultor tenha prazer em produzir o grão ouro verde do Brasil. Isso começa com a valorização do produto perante os outros de qualidade inferior no mercado internacional. O produtor não tem que viver se martirizando com o risco de sua falta, sua família ficar desestabilizada. É necessário que haja algo para assegurá-lo.

* Arnaldo Bottrel Reis é presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Varginha e vice- presidente da Associação Nacional dos Sindicatos Rurais das Regiões Produtoras de Café e Leite – Sincal.

 

3 thoughts on “A DIFERENÇA DO CAFÉ BRASILEIRO E O COLOMBIANO

  • 16/08/2017 at 8:23 am
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    O café consumido no mercado brasileiro é o tipo Conilon que não tem muita qualidade. Já o tipo Arábico é o que exportamos para o mundo. Qualque produto que o país exporta sempre o melhor vai para o consumidor exigente de fora.

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  • 09/03/2017 at 8:10 pm
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    Todas as vezes que comparo o café colombiano ao brasileiro, o colombiano se sai melhor. Ao inves de reclamar, procurem saber por que ele têm o melhor café.

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  • 28/10/2016 at 2:26 pm
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    A real diferença é que o Café Colombiano é mais aromático que o Brasileiro(vendido no BR) qualificado como de segunda.
    Já o café Brasileiro para exportação tem aroma e sabor mais intenso(café de primeira).

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