A árdua tarefa de degustar as melhores bebidas do mundo

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Eles eram 27 e diante deles várias promessas. Concentrados, seguiam um ritual: antes de qualquer coisa, sentir o aroma do café. Depois, experimentar a bebida, quente, morna e fria. Tudo durante 45 minutos. Então, a tarefa mais difícil desses provadores de café do exterior e do Brasil: eleger o melhor do 3º Concurso de Qualidade Cafés do Brasil "Cup of Excellence Late Harvest", promovido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

Com um trabalho que se compara ao de um sommelier, o provador de um concurso como esse tem de estar preparado para identificar os principais atributos de um bom café: ter corpo, boa acidez, doçura, não ter fermentação, nem sabores fora do padrão. "O bom café precisa manter suas características", avalia Vanusia Nogueira, diretora-executiva da BSCA.

Pelos critérios da associação, um café especial tem, além dessas características, no máximo entre 12 e 20 defeitos – como grãos quebrados, por exemplo. Os cuidados no pós-colheita, como a secagem adequada, também são levados em conta, assim como uma boa recepção pelo consumidor. Suas principais categorias são: "gourmet", de origem certificada, orgânico e "fair trade".

O 3º Concurso de Qualidade Cafés do Brasil Cup of Excellence Late Harvest, promovido pela BSCA em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Alliance for Coffee Excellence (ACE), avalia apenas os cafés naturais, que são submetidos à secagem com casca. Essa competição é realizada só no Brasil, o maior produtor mundial de café e de grãos naturais. No país, também há concursos para o chamado cereja descascado, em que os grãos têm a casca e polpa retiradas e só depois são levados para secagem.

Analisaram os cafés 25 provadores do exterior, que representam empresas compradoras, e dois brasileiros. Com eles, estavam também "observadores" que fazem uma espécie de estágio para a função.

O Valor acompanhou o último dia da etapa final do concurso, realizada este mês, em Espírito Santo do Pinhal. Na fase inicial, 275 amostras foram inscritas. Dessas, foram selecionadas 140 e depois 46 foram classificadas para a fase internacional, realizada entre 13 e 17 de janeiro. Após algumas análises, foram selecionadas 27 amostras e os dez primeiros classificados para a prova final. Daí saiu o café campeão.

De fato, 23 lotes (amostras) foram considerados vencedores do concurso, por terem obtido notas superiores a 85 pontos, em uma escala de 0 a 100, conforme a tabela oficial do Cup of Excellence. Esses lotes poderão participar de um leilão online, aberto a compradores do mundo todo, em 6 de março.

As fazendas vencedoras têm seu trabalho divulgado pela ACE, organização sem fins lucrativos, com sede nos Estados Unidos, que gere o programa e detém a marca Cup of Excellence. Além de Brasil e Colômbia, a ACE faz concursos em países da América Central e da África.

Susie Spindler, diretora-executiva da ACE, disse que está surpresa com a qualidade dos cafés brasileiros. Por ser produzido em diferentes regiões do Brasil, o café nacional tem uma diversidade de características que poucos países têm, afirmou ela.

Segundo a especialista, há consumidores para todos os tipos de café no mundo, mas o que lhes fará pagar mais pelo produto é o "bom aroma" e a "história que contam".
Para o observador Jean Philip Iberti, da torrefadora americana La Colombe, o Brasil tem os melhores cafés do mundo. "Não são muitos países que têm esta oportunidade. Eles não têm tecnologia", afirmou.

Raphael Braune, da torrefadora alemã Supremo, que participou do concurso como provador, também era só elogios ao café brasileiro, especialmente os naturais. "Muitas pessoas na Alemanha acham que a Costa Rica e o Quênia têm os melhores cafés, mas os cafés do concurso [do Brasil] estão no mesmo nível", disse.

Valor Online – São Paulo/SP – BRASIL – 29/01/2014

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