77,97, 11 o que significam estes números

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77,97 e 11 não é nenhuma charada ou nenhum resultado de estudo matemático, são os anos onde tivemos as maiores altas no setor cafeeiro. Em 1.977 o preço do café teve a sua maior marca na bolsa Norte Americana atingindo o topo histórico na casa de $ 337,50 cents de dólar por libra peso, topo hoje respeitado e a ser batido em futuro próximo.

Naquele tempo 1.977, o mercado teve seu ápice devido a uma geada negra no Paraná estado brasileiro que então respondia pela maior produção do setor cafeeiro, geada esta que foi no ano de 1.975, que foi a pá de cal desta região cafeeira, depois disso a cafeicultura buscou por novas áreas produtoras, o consumo mundial ficava em 1.977 na casa de 75 milhões de sacas, para uma produção de café que se equilibrava na época com o consumo na casa também de 75 milhões de sacas, no ano da geada o estoque de passagem dos países produtores era de 44 milhões de sacas de café o que no ano de 1.977 caiu violentamente pelo fator climático citado acima 25 milhões de sacas, neste período da cafeicultura existia algumas particularidades que temos que destacar: 1- O acordo internacional do café onde não poderia se vender café abaixo de $1,20 dólar por libra peso o que daria o piso para o preço do café 2- Financiamento para abertura de novas áreas com prazo de sete anos de carência para pagamento, mostrando que a cafeicultura tinha uma política agrícola e estava em expansão. 3- Mão-de-obra abundante nas propriedades rurais e barata.

O estoque mundial mínimo de passagem desta época foi entre 1979 e 1980 que ficou em 30.450 milhões de sacas onde sua maior parte ainda ficava nos países produtores que detinham 25 milhões de sacas. Ainda em 1.977 tivemos a máxima de preço em $337,50 e uma mínima de $148,05 cents de dólar por libra peso o que mostra um total descontrole dos preços e a sua manipulação e uma total desinformação dos países produtores, pois, tivemos o menor estoque de passagem logo dois anos apos.

Em 1.997 tivemos novamente um novo pico de preço, aonde chegamos ao topo não histórico, mas da época em $3,18 cents de dólar por libra peso, novamente pico causado por uma geada que ocorreu no ano de 1.994, o mercado vinha de um período onde os estoques mundiais estavam muitíssimo altos e os preços estavam testando valores muito baixos, onde anos anteriores a geada o mercado trabalhava na bolsa entre mínima de 49,50 e máxima de 94,55.

Fatos que temos que levar em consideração é que durante a década de 80 o Brasil passava por uma grande crise financeira aonde chegamos a ter inflação de 80% ao mês, onde a aplicação financeira era o melhor negocio que existia, e era neste mercado que a cafeicultura se defendeu nestas aplicações e como toda inflação corroia os salários da época que ficaram muito barato, outro fator que deu sustentação a cafeicultura da época.

O consumo mundial ficava na casa de 108 milhões de sacas de café, para uma produção que ficava na casa de 95 milhões de sacas em anos anteriores a 1.997, e no ano de 1.997 respectivamente foi de 103 milhões de sacas de café, ou seja, abaixo do consumo mundial o que levou o preço a subir.

Fatores que devem ser destacados da cafeicultura da época: 1-o plano real acabou com a inflação onde a alta dos preços do café alavancou a produção da época e o plantio. 2-a mão-de-obra ainda era barata o que contribuiu com o aumento de produção.

3-O acordo internacional do café foi extinto em 1989 e o mercado era livre. 4-a extinção do Instituto Brasileiro do Café, IBC, pelo governo Collor de Melo em 1990. Com estes preços em alta o produtor aumentou muito o seu plantio o que causou um grande problema em anos futuros.

O menor estoque de passagem neste período foi na safra de 1.999/00 onde caiu para 31.364 milhões de sacas, o que mostra que o mercado trabalha prevendo o futuro próximo, muito perto do menor estoque de passagem que tivemos no pico anterior em 1.977, o estoque de passagem só começou a ser reposto no ano de 2.002, ano que tivemos uma super safra, e ano que tivemos os piores preços da história, onde cravamos o fundo em 42,20 cents de dólar por libra peso e com uma política cambial flutuante e uma troca de governo, onde tivemos preço em reais e em dólares que chega ser ridículo se pensarmos no tamanho do estoque de passagem mundial da época novamente uma desinformação, falta de política cafeeira. Deste fundo cravado em 2.002 o café começa em uma recuperação de preço em uma tendência de alta que estamos nela ate hoje.

Chegamos em 2.010 e 2.011 com a produção crescente, mas mesmo com o crescimento da produção e novas técnicas de produtividade, os produtores passaram por uma década de prejuízos e o desestimulo era geral não só no Brasil, mas em outros países produtores. Este ano estamos vendo uma nova escalada nos preços provocados também por fatores climáticos, mas aí começa a diferença desta alta, entre as outras duas escaladas de preços, este fator climático não foi no Brasil e sim nos países da America Central e Colômbia.

Outra diferença é que estes países da America Central perderam a competitividade quando os EUA tiraram o subsidio que dava a estes países, para investir na guerra conta o terrorismo e estão sentindo o gosto do mercado livre. A produção mundial este ano é recorde que devera fechar este ano safra em 139 milhões de sacas de café para um consumo de café que também é recorde de 138 milhões de sacas de café um muito perto do outro com um estoque de passagem na casa de 35 milhões e sacas de café.

Conclusão desta sopa de números. 1-O fator climático citado acima nos países produtores da America Central e Colômbia mostra ser apenas o pivot para esta escalada de preço, pois vemos um aumento do consumo muito grande baixando muito rápido os estoques. 2- os preços sobem em safra recorde brasileira e mundial. 3-aumento do preço de todas as commodities em geral e não só de café. 4- A Mao de obra se torna o principal fator para um aumento na produção cafeeira no Brasil e no mundo, mão-de-obra cara e escassa 5- A revolução da classe media mundial querendo melhorias no padrão social aumentando o consumo não só de café, mas também de todas as commodities.

6- O aumento do consumo não se deu nos países mais ricos e sim em outros países principalmente nos BRICs com a expansão de suas economias. 7- Não esta havendo ainda um crescimento na área plantada, o que deve prolongar um pouco esta alta. Bom para finalizar o que temos em cima desses dados é que como o mercado trabalha com uma previsão futura acreditamos que com o aumento do consumo o estoque de passagem ira ficar na casa de 31 milhões de sacas e com uma safra menor no Brasil e com a continuação do aumento do consumo previsto pela Abic acreditamos em um estoque de passagem para 2011/12 nos países produtores abaixo de oito milhões de sacas o menor de todos os tempos, portanto esta escalada ainda esta longe de se acabar.

O plantio devera começar novamente de forma agressiva no final deste ano de 2.011 o que poderá trazer uma safra recorde para o ano de 2.014 em torno de 65/70 milhões de sacas de café no Brasil, mas não sabemos se esta quantidade será suficiente para manter o consumo crescente, nem se haverá problemas climaticos para frustar isto. Vamos aguardar os acontecimentos e nos manter informados para que o mercado não seja manipulado novamente por falta de informação, pois tivemos fundo de mercado sem ter ápice de estoque.

Fonte: AgnoCafe

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