2010 foi favorável para o mercado de café em Minas Gerais

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O ano de 2010 foi favorável para o mercado de café em Minas Gerais. De acordo com representantes do setor, alguns fatores ocorridos no ano passado serão fundamentais para que a cultura continue gerando lucro para a cadeia produtiva em 2011. A aceitação do grão brasileiro na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US) e a aprovação do novo regulamento para a sua qualidade, que entrará em vigor em fevereiro, aliados ao crescimento do consumo, redução dos estoques e da produção mundial são os fatores que irão sustentar a alta dos preços ao longo deste ano.

De acordo com o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Gilson Ximenes de Abreu, outro fator favorável para a manutenção dos preços atuais do café em 2011 é a redução da safra mineira em aproximadamente 13%, influenciada pelo período de bienalidade negativa do produto. Na safra atual devem ser colhidas em Minas Gerais 21,964 milhões de sacas do produto, segundo a estimativa divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A produtividade média alcançada no Estado é de 22,01 sacas por hectare.

"Com a demanda crescente e a oferta restrita do café, a tendência é de preços mais elevados ao longo da safra 2010/2011 o que irá gerar ganhos significativos para os produtores", disse Gilson Ximenes.

Através do aumento da lucratividade dos produtores, os investimentos nos tratos culturais e na expansão da produtividade dos cafezais mineiros só deverão mostrar resultados significativos em um intervalo de dois ou três anos, caso os preços do café se mantenham nos atuais patamares.

De acordo o assessor técnico do Café da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Bernardino Cangussu, os investimentos na ampliação da área cultivada e na renovação dos cafezais não deverão acontecer.

Inversões na área cultivada e renovação dos cafezais não deverão acontecer

Dívidas – "A descapitalização e o endividamento dos produtores comprometeram os investimentos nos cafezais fazendo com as plantações rendessem menos que a capacidade máxima produtiva. Com a valorização da saca, a princípio os cafeicultores irão quitar as dívidas para depois voltar a investir significativamente nos cuidados com as plantas. A movimentação deve interferir de forma positiva no aumento da produtividade por hectare ao longo dos próximos anos. Mesmo com o aumento dos preços a expansão da área cultivada é praticamente descartada pelos produtores, uma vez que o investimento possui custo e risco elevados", disse Cangussu.

A estimativa para os preços do café ao longo dos próximos anos são positivas e serão influenciadas pelo início da comercialização do grão na bolsa de Nova York em 2012 e pela implementação da Instrução Normativa nº 16 a partir de fevereiro deste ano, onde serão retirados do mercado interno os cafés de baixa qualidade.

A aprovação do café arábica brasileiro (lavado ou semilavado) para ser negociado na Bolsa de Nova York é considerado essencial para o desenvolvimento da cultura em Minas Gerais e demais estados produtores. A expectativa é que o início das negociações aconteça em cerca de dois anos. O período será utilizado para adequar as estruturas e a logística da cadeia e também para o cumprimento de todos os contratos do grão já negociado.

Para Ximenes, a negociação através da Bolsa de Nova York é uma das soluções que irá favorecer o equilíbrio dos preços do grão em patamares rentáveis e proporcionar condições dos produtores em planejar os investimentos na cultura baseados nos preços futuros dos contratos de café na Bolsa de Nova York.

O novo regulamento técnico para comercialização do café também irá trazer resultados positivos para a cadeia cafeeira uma vez que os cafés de baixa qualidade serão retirados do mercado. O objetivo, segundo Cangussu, é elevar a oferta de cafés de qualidade e incentivar aumento do consumo. Um dos resultados esperados é a formação de preços mais rentáveis no mercado local.

Cepea – De acordo com os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), mesmo com a maior produção em 2010, os preços do café arábica registraram aumentos significativos a partir de junho do ano passado, quando se iniciou oficialmente a safra. No dia 23 de dezembro, o Indicador Cepea/Esalq atingiu R$ 409,28 a saca de 60 quilos, o maior valor nominal de toda a série do Cepea, iniciada em 1996. Desde então, o indicador registrou recordes diários.

As cotações do arábica foram impulsionadas principalmente pelas elevações nos preços internacionais. A forte alta foi justificada pelos baixos estoques mundiais, pelo consumo crescente e por problemas climáticos em outros países produtores do grão, como a Colômbia, que novamente produziu um volume bem abaixo do seu potencial produtivo. A estimativa da OIC aponta que o consumo mundial do grão cresce 2,4% ao ano desde 2000.

Com a valorização do café no mercado internacional, os produtores mineiros mesmo com aumento da produção conseguiram manter a lucratividade. A safra mineira de café colhida em 2010 foi de 25,1 milhões de sacas, segundo levantamento divulgado pela Conab. O aumento foi de 26,7% na comparação com a safra anterior. A produção de 2010, em Minas Gerais, igualou-se ao recorde histórico registrado no Estado em 2002.

Em 2010 a safra mineira de café respondeu por 52,3% da brasileira, estimada em 48,1 milhões de sacas. Depois de Minas Gerais, os Estados que mais produziram café no país foram o Espírito Santo, São Paulo, Rondônia e Bahia. O levantamento da Conab também mostra que Minas Gerais possui um milhão de hectares de café em produção. As principais regiões produtoras são o Sul de Minas (50,2%), Cerrado (22,5%) e Zona da Mata (27,4%).

No correr da safra, os preços do arábica subiram ainda mais, motivando um bom volume de vendas. Já em dezembro, o ritmo de negócios diminuiu visto que, além da intensificação das vendas nos meses anteriores, muitos produtores evitaram fechar negócios, diante da preocupação com declaração do imposto de renda. Assim, as vendas de dezembro foram, em sua maioria, efetuadas para entrega e pagamento em janeiro.

Fonte: Diario do Comércio MG
 

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